A sorologia para o zika vírus deve chegar ao País a partir de fevereiro. A tecnologia para o exame foi desenvolvida com participação do Centro de Controle de Doenças e Prevenção dos Estados Unidos (CDC). Os americanos terão uma reunião com a Fiocruz e outros institutos nacionais de pesquisa do Brasil e demais países da América Latina no dia 18, no Instituto Evandro Chagas, em Belém do Pará, para a transferência de conhecimento sobre o teste.
Com o exame será possível detectar o vírus em qualquer fase, seja antes ou após o paciente apresentar os sintomas. Isso vai esclarecer os dados de mães que tiveram zika com a ocorrência de microcefalia em bebês. O Brasil tem 3.530 notificações da malformação, sendo a maioria (1.236) em Pernambuco.
Foi justamente o avanço nos casos que trouxe os pesquisadores americanos ao Brasil em dezembro passado. No Estado, o grupo teve reuniões na Secretaria Estadual de Saúde (SES), Fiocruz e Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc). A agência norte-americana foi uma das responsáveis em 2009 pela celeridade nos estudos e vacina contra a gripe H1N1, que acometeu vários países, inclusive o Brasil. Agora, em mais um momento crítico, traz o teste sorológico para zika.
esquisador do Laboratório de Virologia e Terapia Experimental (Lavite) da Fiocruz Recife, Rafael França adianta que a sorologia já está na fase final de implantação. “O CDC vai trazer o material, o antígeno. Com isso, vamos poder iniciar o exame”, explicou. A princípio os laboratórios que devem fazer a sorologia no País serão a Fiocruz do Recife e do Rio de Janeiro, o Evandro Chagas e o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. Ainda não se sabe em que escala ele poderá ser feito.
A criação do teste sorológico para zika foi colaborativo. “O teste foi padronizado pelo centro norte-americano. Mas houve uma troca de conhecimento, foi uma colaboração”, destacou o pesquisador.
IMPORTÂNCIA – A chegada de uma sorologia para o zika dará agilidade ao diagnóstico da doença hoje dado por exclusão de outras, na maioria dos casos. Alguns laboratórios ofertam o exame de biologia molecular do vírus (PCR), que além de muito caro (cerca de R$ 900 ), só verifica o vírus na fase aguda da doença, estimada em sete dias. A coordenadora de Arboviroses da Secretaria Estadual de Saúde, Claudenice Pontes, avalia que a sorologia vai reforçar o diagnóstico laboratorial. Contudo, ponderou que é necessária a validação de segurança do exame.
Diagnóstico preciso das mortes atribuídas à dengue
A sorologia para o zika também vai ajudar a esclarecer ou eliminar registro de mortes e agravamento de viroses que estão sendo atribuídas à dengue no Estado. Já são 111 mortes notificadas, com 31 confirmadas por dengue e nove descartadas. Há 71 óbitos em investigação que também estão sendo avaliados para zika ou chikungunya. O número supera os de 2014, quando a notificação de 66 óbitos suspeitos, sendo 46 confirmados. Já os agravamentos por dengue até agora somam 188 casos, com 135 confirmações. No mesmo período de 2014, foram 109. Os dados fazem parte do boletim divulgado pela secretaria.
Claudenice Pontes comentou que, até o momento, nenhuma das mortes teve relação comprovada com a chikungunya, nem com o zika. Mas destacou que isso não está descartado. O agravamento da dengue é preocupante, já que essa virose tende a ter complicações maiores que a zika e a chikungunya.
EPIDEMIA – O novo raio-x das arboviroses no Estado, aponta mais seis mil casos de dengue entre 26 de dezembro e 2 de janeiro de 2016. Os casos suspeitos chegam a 146 mil, sendo 51.776 confirmados, um aumento de 639,43% em relação ao mesmo período em 2014.
Busca por vacina contra o vírus
As pesquisas de uma vacina contra o vírus zika começam neste semestre. A informação foi dada na última quarta-feira (13), pelo ministro da Saúde Marcelo Castro. De acordo com ele, o Instituto Butantan, Instituto Evandro Chagas, de Belém, e Bio-Manguinhos, da Fiocruz, já articulam cooperações com órgãos internacionais para realizar pesquisas sobre uma possível imunização.
“É uma vacina muito mais simples de ser desenvolvida do que a da dengue”, afirmou o ministro.
GAFE – Um possível público-alvo para a imunização seriam as mulheres em período fértil, como forma de evitar complicações em bebês. No entanto, o ministro cometeu uma gafe durante a entrevista.
“Não vamos dar vacina a 200 milhões de brasileiros. Vamos dar para as pessoas no período fértil. E vamos torcer para que antes de entrarem no período fértil elas peguem a zika para ficarem imunes”, disse o ministro da Saúde.
Protocolo para Tratamento
O Ministério da Saúde lançou ontem as diretrizes de estimulação precoce para crianças de 0 a 3 anos com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor decorrente de microcefalia. O protocolo traz orientações aos profissionais das equipes da Atenção Básica e Atenção Especializada para as crianças que foram diagnosticadas com a malformação. São tratos relacionados ao desenvolvimento auditivo, visual, motor e cognitivo.
Fonte: Folha de Pernambuco



