Portadores de talassemia – uma anemia hereditária, caracterizada pela malformação da proteína dos glóbulos vermelhos – sofrem há oito meses com a distribuição irregular de medicamentos especiais fornecidos pelo Estado. Segundo Fernando Sabino, representante local da Associação Brasileira de Talassemia e paciente da Fundação Hemope, estão em falta quelantes orais, usados pelos talassêmicos para reduzir o depósito de ferro no organismo, uma complicação da doença e das sucessivas transfusões de sangue recebidas.
“Esses medicamentos são de alto custo, dependemos unicamente do SUS”, explica Fernando Sabino, descrevendo problema comum a outros pacientes da Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco (Hemope).
Se fosse comprar o remédio no mercado privado, o portador de talassemia gastaria mensalmente em torno de R$ 12 mil, no mínimo. O próprio Fernando Sabino toma 850 comprimidos de deferiprone (Ferriprox) por mês e cada caixa do medicamento, com 100 comprimidos, vale R$ 1.500. Outra substância, deferasirox (Exjade), custa duas vezes mais, de acordo com o paciente.
No dia 18 de novembro, a queixa foi formulada no Ministério Público Estadual (MPPE) e o caso levado também à Defensoria Pública. “O uso irregular causa danos ao organismo. O excesso de ferro pode levar à falência múltipla dos órgãos”, lembra Sabino.
A promotora Ivana Botelho, da Saúde do MPPE, informa que um pedido de explicações já foi enviado à Secretaria Estadual de Saúde. “Vamos reforçar a cobrança”, adiantou ontem, ao ser procurada mais uma vez pelos talassêmicos. Outros pacientes do Hemope, que sofrem com leucemia e doença falsiforme, também reclamam de dificuldades para obter ciclosporina e hidroxiureia. A Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia já tinha denunciado o problema nos últimos meses. Desde o início de 2015, usuários do SUS reclamam de um generalizado desabastecimento de remédios de alto custo.
COMPRA
Questionada ontem sobre as denúncias de pacientes do Hemope, a Secretaria Estadual de Saúde informou que já está finalizado o processo de compra do quelante deferasirox. “Ao todo, estão sendo adquiridos mais de 19 mil cápsulas, um investimento de cerca de R$ 1,2 milhão. A expectativa é de que a Farmácia do Estado esteja abastecida em até 30 dias”, explicou.
Quanto à falta de ciclosporina e hidroxiureia, a Fundação Hemope confirma que o estoque dos dois produtos está reduzido. Alega que o problema é nacional, em razão da falta de matéria-prima importada, tornando difícil o atendimento da demanda de todo o País.
Fonte: Jornal Do Commercio



