Um estudo desenvolvido pela Fiocruz Pernambuco investiga se o mosquito que transmite a filariose também pode ser vetor do zika vírus e chicungunha. Conhecido popularmente como muriçoca, o Culex quinquefasciatus coloca seus ovos em criadouros poluídos, diferentemente do Aedes aegypti, que se reproduz com mais frequência em água limpa e dentro de casa. “O Culex se reproduz em água suja, nos esgotos. Por isso, se a hipótese de que ele possa transmitir zika e chicungunha for comprovada, o trabalho de enfrentamento às doenças precisa ser mais intenso. Será necessário investir bastante em saneamento, uma atitude que já deveria ter sido tomada”, diz a bióloga Constância Ayres Lopes, pesquisadora da Fiocruz Pernambuco.
O interesse em investigar o Culex apareceu a partir do fato de que a primeira epidemia de zika fora de ambiente silvestre aconteceu na Micronésia (Oceania). “Lá o Aedes é raro, e os pesquisadores não analisaram o Culex, que é abundante em toda região tropical. Aqui no Recife, por exemplo, para cada Aedes capturado em campo, coletamos 20 mosquitos Culex”, diz Constância. Até o fim de fevereiro, a pesquisa deve ser concluída.
ANOMALIA
O Estado de Pernambuco já registra 1.373 bebês com suspeita de microcefalia. Entre eles, 138 foram confirmados (15 casos a mais do que na semana anterior). Em relação à incidência por nascidos vivos, a 12ª Região de Saúde é a que apresenta uma maior taxa de detecção. A cada mil nascidos vivos na área, seis são casos prováveis de microcefalia. Na 12ª Região, está a cidade de Goiana, com 27 casos suspeitos da anomalia. Na área, outros oito municípios têm notificações da anomalia.
O boletim divulgado ontem pela Secretaria Estadual de Saúde também mostrou um avanço no número de gestantes com manchas vermelhas na pele. Em quase dois meses, foram notificadas 792 grávidas com esse quadro clínico – 208 a mais, em comparação com a semana anterior.
Fonte: Jornal do Commercio



