Um salário mínimo para bebês microcéfalos

As agências do INSS devem receber nas próximas semanas uma enxurrada de pedidos do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para bebês com microcefalia. No valor de um salário mínimo (R$ 880), a bolsa já é ofertada para cerca de 4 milhões de brasileiros que têm a partir de 65 anos ou deficiência física, desde que obedeçam os requisitos. O principal deles é que a renda familiar per capita (por pessoa), seja de até R$ 220.

O orçamento federal para pagamento do benefício neste ano era de R$ 48,3 bilhões. Montante que deve aumentar, já que o Ministério da Saúde notificou 4,1 mil recém-nascidos com a malformação. Número que deve chegar a 16 mil até dezembro, segundo estimativa da Fiocruz. O INSS deve montar uma força-tarefa para dar celeridade à avaliação dos casos das crianças com a malformação.

A possibilidade do recebimento de um salário mínimo animou algumas famílias pernambucanas. Na casa de Gabriel, 3 meses, que mora em Glória do Goitá, na Mata Norte, a 75 km do Recife, o dinheiro chegaria em boa hora para dar suporte as viagens que precisa fazer até três vezes por semana para a Capital e, também, na alimentação. Sua mãe Ana Júlia Silva, 17, perdeu duas consultas do filho nesta semana Recife por não ter o dinheiro para as passagens. “A gente gasta demais. Não tenho renda. O pai dele se vira com bico e o dinheiro, que já não era tanto, ficou ainda mais curto”, disse.

Em situação parecida está a auxiliar de serviço geral, Rosilene Ferreira, 39, mãe de Arthur, 3 meses. Ela mora no Ibura e chega a pegar seis conduções por dia para levar o menino para as terapias e consultas. “Ganho R$ 650 reais por mês para manter a casa, meu filho de 16 anos e, agora, o Arthur. Esse dinheiro chegaria em boa hora. Nesse momento meu maior gasto é com transporte. Mas, não sei como será no futuro”, disse. Rosilene também demonstrou apreensão com o atual emprego, já que precisará pedir licenças para acompanhar o filho nos tratamentos. “Meu medo é ser demitida e ficar sem renda”, disse.

Quem já convive com o dinheiro curto para atender às necessidades da filha com microcefalia há 4 anos é Eliane Costa, 32. Há dois ela conseguiu o benefício para a filha Maria Eduarda. O dinheiro ajuda nos gastos com a criança. A maior parte vai para a compra de fraldas descartáveis. “Ela precisa de 15 pacotes por mês. Cada um custa, em média, R$ 15. Tudo dá R$ 225”, disse. Também há gastos com remédio, já que Maria Eduarda precisa tomar anticonvulsivo ao menos uma vez por semana. Já as despesas com transporte dependem do roteiro de terapias. A família mora em Olinda e a menina faz tratamento na Fundação Altino Ventura, no Recife, na Iputinga.

Perícia
Para ter direito ao benefício os bebês terão que passar por perícia médica. O que deverá gerar filas ainda maiores que as atuais, já que a greve dos médicos peritos do INSS, que após cinco meses chegou ao fim na segunda-feira passada, deixou 400 mil atendimentos acumulados no País – 40 mil no Estado. A representante técnica do Serviço Social do INSS no Nordeste, Teresa Vital de Souza, adiantou que até agora a procura do benefício para bebês microcéfalos não foi sentida. Dos 1.373 bebês notificados no Estado, apenas quatro chegaram a fazer o agendamento.

Fonte: Folha de Pernambuco

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