Acompanhamento médico é fundamental no tratamento da microcefalia

Quando se trata de bebês com microcefalia, os especialistas são categóricos: essas crianças precisarão de uma equipe multidisciplinar durante toda a vida. Deverão ser acompanhadas por profissionais das áreas de pediatria, neurologia, oftalmologia, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, entre outros. Médicos que acompanham crianças com a síndrome em Pernambuco ponderam que as técnicas alternativas como a shantala e o ofurô são válidas, mas sozinhas não funcionam como estímulo. Além disso, a reabilitação varia de acordo com o comprometimento neurológico de cada bebê.

A neuropediatra Vanessa Van Der Linden trabalha com reabilitação na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). Segundo ela, práticas como shantala e ofurô podem, sim, auxiliar à tranquilizar os bebês, porque estão relacionadas à parte sensorial, mas não contribuem para o desenvolvimento neuropsicomotor. Ela tem observado que as crianças com microcefalia causada por infecção do vírus zika são mais propensas à irritabilidade. São bebês que choram muito. A massagem e o ofurô seriam alternativas para esses momentos. “São métodos que podem ajudar a acalmar o bebê, mas não farão com que a criança desenvolva o potencial dela. Isso é com a reabilitação, feita por equipe treinada”, explicou.

A médica Vanessa Van Der Linden ressaltou que reabilitação não é sinônimo de cura, mas significa a capacidade de desenvolver na criança o potencial que o cérebro dela tem, sabendo que existe um limite de cada um dependendo da lesão. O acompanhamento vai prevenir complicações, contraturas e deformidades, para melhorar a qualidade de vida. “Mesmo a criança grave tem condições de viver bem, sem dor, se alimentando bem, dormindo bem, se posicionando bem e relaxando”, observou.

Ainda de acordo com Vanessa Van Der Linden, a AACD assiste aproximadamente 100 crianças com microcefalia atualmente. Cerca de 70 passaram pelo atendimento inicial e foram avaliadas em questões como complicações
decorrentes da síndrome, crises convulsivas, irritabilidade e alterações
ortopédicas. A terapeuta ocupacional Irene Beltrão também trabalha na AACD. Na opinião dela, práticas de estímulos sensoriais são importantes quando inseridas no conjunto do tratamento, porque ajudam os bebês a se reorganizarem. “Essas massagens auxiliam o bebê a relaxar, o banho de ofurô vai acalmar. Em alguns momentos pode dar uma aliviada, é algo a mais que as mães podem lançar mão.”

Fonte: Diario de Pernambuco

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