A microcefalia tem obrigado mães a se reinventarem no seu papel. Nesse processo diário de aprendizagem, muitas estão descobrindo que técnicas milenares facilitam o dia a dia das crianças. Com o objetivo de ensinar essas práticas para que as mães as utilizem em casa, a enfermeira obstetra Rozeli Fontoura vem promovendo oficinas gratuitas de shantala (massagem indiana), ofurô e wrap sling.
Especializada em amamentação, primeiros cuidados com o bebê e sono materno infantil, a profissional afirma que os procedimentos propiciam benefícios como a melhoria do sono e o fortalecimento do vínculo entre mãe e filho. De acordo com Rozeli, a shantala pode ser realizada diariamente na criança. O primeiro ganho seria a aproximação que ocorre entre a mãe e a criança. “É um momento no qual ela vai se dedicar a prestar atenção naquele bebê sem interrupções. Haverá troca de olhar e contato pele a pele”, explicou. Segundo a enfermeira, a shantala é permitida a partir de quando o umbigo do recém-nascido cai e cicatriza. A técnica estimula a produção de hormônios tranquilizantes.
A massagem também contribui para a criança desenvolver a consciência corporal e ajuda a evitar constipação intestinal. “São 17 movimentos distintos, cada um com um objetivo diferente”, destacou Rozeli. A dinâmica é feita com ajuda de óleo mineral e ambiente de baixa luz. “É uma técnica que tem maior funcionalidade nos primeiros seis meses”, completou. Mas não deve ser aplicada quando a criança estiver com fome ou de barriga cheia.
Já o ofurô é praticado usando recipientes específicos e visa ajudar o pequeno na adaptação à vida fora do útero, ideal para o primeiro trimestre após o parto. A técnica simula o ambiente intrauterino e usa água com temperatura entre 36,5 e 37 graus, a mesma do líquido aminiótico.
O wrap sling é uma espécie de embrulho de tecido no qual o bebê fica inserido no corpo da mãe. A estratégia aproxima os dois e deixa os braços da mulher livres, além de facilitar a amamentação. Mãe de Anne Beatrys, de quatro meses e com microcefalia, Bruna Gabrielle Barbosa Cardeal, 19 anos, aprovou as três técnicas. “Só conhecia o ofurô, mas tinha medo de fazer, não sentava ela no baldinho. Mas agora aprendi e pretendo fazer em casa”, comentou enquanto olhava a filha dormir no wrap sling.
Kelly Cristina Benthien, 33, é mãe de Marina Vitória, três meses. A pequena é sua terceira filha. Ela não tem microefalia, mas é agitada porque nasceu prematura, com sete meses. “Achei que a massagem e o ofurô relaxaram ela”, comentou a mãe. A psicóloga especialista na área materno infantil Willa Marques vai participar das oficinas e alerta para a importância do acolhimento às mães de bebês com microcefalia. “Toda a dinâmica familiar dela vai ser alterada com a chegada da criança com a síndrome, aumentando a insegurança de cuidar desse bebê e a deixando propícia a estresse e ansiedade”, observou.
Fonte: Diario de Pernambuco



