Tumulto na corrida por doses da vacina contra o H1N1

O surto da gripe H1N1 em São Paulo e as confirmações de casos da doença em Pernambuco seguem assustando a população do estado, mesmo após repetidas ressalvas da Secretaria Estadual de Saúde de que não há motivos para alarme. A corrida pela vacina causa tumulto em clínicas particulares do Recife. Nesta quarta-feira (6), em um estabelecimento no bairro de Parnamirim, cerca de 50 pessoas se reuniram na porta em busca de informações sobre a aquisição da dose, que custa R$ 110.

Em outra clínica, também na Zona Norte, foi preciso contratar cinco vacinadores esta semana. Eles se uniram aos outros dois da unidade, formando uma equipe de sete para dar conta do aumento da demanda.
Os 32 casos confirmados de influenza H1N1 no estado este ano não configuram surto, segundo a SES. A contagem foi feita até o último dia 26. Até esta data, cinco pessoas morreram de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no estado, mas não há confirmação se algum óbito foi provocado por H1N1.

De acordo com a secretaria, até a próxima sexta-feira (8) deve chegar ao estado o primeiro de quatro lotes da vacina disponibilizados pelo Ministério da Saúde para Pernambuco. No entanto, somente as pessoas que integram grupos de risco terão acesso ao material, de forma gratuita, outro motivo pelo qual a rede privada acabou sendo sobrecarregada. Entre esses grupos estão gestantes, idosos, a população carcerária e os povos indígenas. Cerca de dois milhões de pessoas serão imunizadas no estado por meio da rede pública.

“A gente está com medo do invisível. Pode ser que não estejamos em contato com o vírus, mas pode ser que sim”, afirmou a oficial de Justiça Juliana Bezerra, 34 anos. Ela estava entre as pessoas que se reuniram na frente de uma clínica no Parnamirim. Contou que foi duas vezes ao local na tentativa de imunizar a mãe, de 64 anos, e a filha, de três anos, ambas grupo de risco. “Não queremos esperar, é melhor pagar e não arriscar”, completou.

Diante da quantidade de pessoas na unidade, Juliana não conseguiu as vacinas nem obteve informações de quando poderá ter acesso. O mesmo aconteceu com a advogada Maria Cecília Braz, 33. Também buscou o local duas vezes, sem sucesso. “Se eu conseguisse mais de uma, também me vacinaria. Mas primeiro quero imunizar meu filho de nove anos, porque ele corre mais risco frequentando todos os dias a escola”, comentou a advogada.

A reportagem tentou falar com a direção da clínica, mas foi informada por um funcionário que estava em uma das portas que ninguém se pronunciaria. Infectologista e professor de doenças infecciosas e parasitárias da Universidade Federal de Pernbambuco (UFPE), Paulo Sérgio Ramos de Araújo é sócio da clínica Imunomax, no Rosarinho.

Ele explicou que a situação é inusitada para as unidades. Segundo ele, há muitas pessoas insistindo em pagar pelas vacinas antecipadamente. “Nunca atendemos a uma demanda tão grande. Tem famílias inteiras de 30 pessoas, por exemplo, que mandam um representante e se disponibilizam a pagar as doses antes.” A clínica, no entanto, não trabalha dessa forma nem faz listas de espera. “É uma responsabilidade muito grande. A gente corre o risco de o fornecedor atrasar”, destacou. Ainda segundo Paulo Sérgio, dois laboratórios abastecem a rede privada no Brasil, sendo um americano e outro francês. Já as doses da rede pública são fabricadas no Instituto Butantan, em São Paulo.

Saiba mais
32 é o número de casos confirmados de influenza H1N1 em Pernambuco este ano (até 26 de março)
5 pessoas morreram com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que pode ter sido provocada por diversos vírus, como adenovírus, vírus sincicial respiratório, influenza A H1N1 e parainfluenza, além de diversas bactérias e outros agentes, como fungos
2 milhões de pessoas estão em grupos de risco no estado
4 lotes de vacinas contra H1N1 devem chegar até maio em Pernambuco para imunizar esses grupos
A chegada da primeira remessa está prevista para esta semana

Quem integra grupos de risco:
Crianças até seis meses e menores de cinco anos
Gestantes
Mães com até 45 dias após o parto
Idosos (60 anos ou mais)
Povos indígenas
Trabalhadores da área da saúde
Funcionários do sistema prisional
População carcerária

Quem fabrica as vacinas:
Laboratório GSK (Americano)
Laboratório Sanofi-Basteur (Francês)
Instituto Butantan, em São Paulo

Dicas de prevenção:
Higienizar as mãos, principalmente antes de se alimentar
Cobrir o nariz e a boca quando espirrar ou tossir
Evitar tocar mucosas de olho, nariz e boca
Não compartilhar objetos de uso pessoal (talheres, pratos, copos)

Fonte: Diario de Pernambuco

Compartilhe:

Deixe um comentário

Fique por dentro

Notícias relacionadas