No Recife, remédios estão mais caros e fracionamento não é praticado

Os preços de mais de nove mil medicamentos já começaram a aumentar na capital pernambucana. Nas farmácias, os reajustes estão sendo repassados aos consumidores, que também notam a diferença nos valores pagos pelos remédios que estão habituados a comprar. No último dia 31 de março, uma resolução da Câmara de regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), órgão do governo federal, fixou em 12,5% o reajuste máximo permitido aos fabricantes na definição dos preços dos medicamentos.

No Recife, as farmácias já compram dos fornecedores com os preços mais altos e, automaticamente, repassam o reajuste para os consumidores. O gerente de uma farmácia localizada no bairro das Graças, área central da cidade, Maurício Ribeiro, disse que os aumentos foram praticamente imediatos. “Teve distribuidora que um dia após o anúncio do aumento já estava repassando as mercadorias com novo valor. E os aumentos foram, a maior parte, no percentual máximo previsto pelo Governo mesmo”, explicou.

Segundo o farmacista Oséas Gomes, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado de Pernambuco (Sincofarma-PE), nem todos os laboratórios devem aumentar seus preços. “Existem medicamentos que simplesmente não vale aumentar os preços. Hoje, o que nós verificamos é que entre 10% a 15% dos produtos sofreram reajuste. Além disso, entre aqueles que aumentaram, nem todos subiram até os 12,5% o valor do produto. Alguns fizeram reajustes mais baixos”, pontou Oseás que também administra uma farmácia no Recife.

No meio dos aumentos está o consumidor que sofre com os reajustes que podem ultrapassar a própria inflação (10,67% em 2015). A aposentada Maria de Lourdes de Almeida, 65 anos, sofre com dores crônicas nas costas e compra mensalmente os analgésicos prescritos pelos médicos. “Já percebi sim o aumento. Meus remédios estão mais caros e mesmo que a gente tente trocar por um que não aumentou não adianta. Todo ano é a mesma coisa, tudo aumenta, inclusive remédio”, comentou a consumidora.

REMÉDIO FRACIONADO – Neste momento de alta nos preços dos medicamentos, uma solução para aliviar o bolso do consumidor seria a venda fracionada de determinados remédios. Desde 2006 existe uma norma na Anvisa que autoriza, mas não obriga, as empresas farmacêuticas e farmácias a venderem “por partes”. Por exemplo, se o médico prescrever 15 comprimidos e a caixa vier com 20, o paciente poderia solicitar apenas a quantidade prescrita – e pagar menos por isso.

O advogado especialista em direito do consumidor Thiago Pessoa alertou que além de evitar um gasto extra com medicamentos que “sobrariam”, a medida ainda dificulta que as pessoas se automediquem, já que não teriam as sobras das cartelas de medicamento. “É uma questão de saúde pública. Mas enquanto não virar lei, a prática, provavelmente, não será popularizada”, opinou Thiago Pessoa.

O presidente da Sincofarma-PE, Oséas Gomes, acredita que a medida não funcionará no País por diversos fatores, entre eles o fato de que o Brasil conta com mais de 10 mil medicamentos sendo disponibilizados aos consumidores. “Nos países de primeiro mundo dá certo porque não existe essa gama de medicamentos que temos aqui. Tem princípio ativo que é oferecido por 4 ou 5 laboratórios diferentes. Fica inviável”, ressaltou Oséas Gomes.

Fonte: Ne10

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