Gestantes e mães que tiveram bebês microcéfalos associados ao zika vírus, no Recife e em Goiana, na Mata Norte, participarão de uma campanha realizada pela ONG Curumim, para a conscientização de seus direitos.
Na última quinta-feira (7), durante o lançamento da campanha, representantes da ONG se posicionaram contra o aborto de fetos com microcefalia. O aborto, defendem, deve ser realizado apenas em caso de risco à vida da mãe.
A campanha, que foi idealizada a partir da preocupação com os crescentes casos de microcefalia em recém-nascidos no Estado, contará com ações em postos de saúde, escolas e cartazes em ônibus.
Para a secretária executiva da ONG, Sueli Valongueiro, as gestantes precisam conhecer seus direitos. “A maioria das mães é pobre e precisa de apoio. Elas não sabem, mas podem ter acesso a um Benefício de Prestação Continuada, oferecido pelo poder público”, afirmou, explicando que, para isso, as mulheres devem buscar a Assistência Social de seus municípios.
“Nossa campanha é direcionada a mulheres em vulnerabilidade social de bairros periféricos, onde há os maiores índices de proliferação do mosquito transmissor por falta de saneamento básico”, explica a ativista.
A conscientização é necessária para evitar maiores problemas, num momento tão crítico para as famílias. “Não se pode virar as costas para as mulheres, pois a culpa não é delas. Segundo
uma pesquisa realizada, 60% das mulheres têm gravidez indesejada. Elas não têm nem acesso a anticonceptivos”, afirma Paula Viana, outra ativista do Curumim.
“Apesar de não aconselharmos o aborto em casos de microcefalia, está previsto em lei a possibilidade de interrupção da gravidez, em caso de risco de vida para a mãe. Mas as mulheres não sabem disso”, comentou secretária executiva da ONG, Sueli Valongueiro.
Fonte: Folha de Pernambuco



