Após meses de intensos estudos, autoridades de saúde americanas afirmaram que o vírus da zika provoca malformação grave nos bebês. A descoberta deve ajudar a aumentar a adesão dos pacientes em relação às precauções contra a doença. “Não há mais qualquer dúvida de que o zika provoca microcefalia”, disse o diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, Tom Frieden.
Os especialistas de saúde já não se mostraram cautelosos de afirmar categoricamente sobre o vínculo entre essa enfermidade e a microcefalia, diante de um aumento dos casos de malformação no Brasil. O mosquito Aedes aegypti é um dos principais agentes que disseminam o vírus. Até então, não se sabia que um vírus transmitido por insetos poderia causar malformação em bebês.
O CDC e outras agências de saúde estão há meses buscando a correlação entre o vírus e a microcefalia em bebês. Desde então, vem alertando as mulheres grávidas a usar repelentes de mosquitos e evitar viajar para regiões atingidas pelo zika. O CDC anunciou sua conclusão em um relatório publicado online pelo New England Journal of Medicine. “Este estudo é um ponto de inflexão no surto de zika”, disse Tom Frieden. Não havia uma pista conclusiva, nem qualquer tipo de evidência que pudesse oferecer uma prova definitiva dessa relação, afirma o relatório publicado no New England Journal of Medicine.
Em contrapartida, a decisão de estabelecer esse vínculo se baseia “na crescente evidência apresentada em vários estudos publicados recentemente e na avaliação cuidadosa por intermédio de critérios científicos estabelecidos”, declararam os CDCs. Foram publicados mais estudos para “determinar se as crianças com microcefalia nascidas de mães infectadas com o vírus zika são a ponta do iceberg dos potenciais efeitos danosos e de outros problemas de desenvolvimento” que esse vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti pode causar, acrescentou Frieden.
PERNAMBUCO
No dia 23 de outubro de 2015, a reportagem do JC teve conhecimento de uma mensagem que circulava pelo WhatsApp de médicos pernambucanos sobre aumento no número de recém-nascidos com microcefalia. As primeiras informações levantavam a hipótese de que os casos teriam relação com quadros de infecção causados pelo vírus da dengue, chicungunha ou zika durante a gestação.
No dia 28 de novembro, o Ministério da Saúde confirmou a relação entre zika e microcefalia. Naquela ocasião, em entrevista ao JC, o médico Carlos Brito, um dos responsáveis por comunicar o governo federal sobre o avanço dos casos da malformação, comentou sobre a associação: “Agora, com a presença do zika em amostras de sangue e tecidos de um bebê com microcefalia que foi a óbito, está totalmente comprovada essa relação. É preciso compreender, cada vez mais, o comportamento do vírus e suas complicações. Não tenho dúvidas de que estamos inaugurando um novo capítulo na história da medicina”. Atualmente, em Pernambuco, num universo de 218 testes realizados, já estão confirmados 146 casos de microcefalia relacionados ao zika por detecção laboratorial.
Fonte: Jornal do Commercio



