BRASÍLIA (Folhapress) – A sanção presidencial que autoriza o uso da fosfoetanolamina gerou dúvidas e reações de associações de pacientes, profissionais da saúde e hospitais. O “Movimento Todos Juntos Contra o Câncer” (TJCC) divulgou nota direcionada aos pacientes interessados na substância. Nela, defende que é preciso se informar antes de fazer uso da fosfoetanolamina, a “pílula do câncer”. O grupo é composto de mais de 50 entidades. O documento ainda recomenda que o paciente “converse como seu médico e esgote as possibilidades de utilização de terapias disponíveis para o seu caso.” Outra reação, do Instituto Oncoguia, elencauma série de perguntas ainda sem respostas. Uma delas é: para quem é entregue o termo de responsabilidade? Outra: Onde a droga será entregue ou vendida? Quem vai fabricar? “A Anvisa vai ter que regular algo a que ela se opõe. A gente quer acreditar que pode ser uma esperança, mas precisamos de provas de que funciona, de segurança, de que estudos clínicos sejam feitos”, lamenta a presidente do instituto, Luciana Holtz. Durvanei Augusto Maria, pesquisador do Instituto Butantan que é coautor dos poucos estudos publicados até hoje sobre a ação da fosfoetanolamina em culturas de células e animais de laboratório, diz que a liberação é um alento para que ele e seus colegas continuem a estudar os mecanismos de ação da substância em diferentes tipos de câncer. A reportagem questionou a USP sobre a nova legislação. A universidade informou que reiterava sua nota oficial do dia 1º de abril, na qual afirma que não pode produzir a molécula independentemente, já que a patente pertence aos pesquisadores, e que não tem condições de fazer em larga escala. A reportagem não conseguiu localizar Gilberto Chierice, que desenvolveu a droga.
Fonte: Folha de Pernambuco



