A dona de casa Rosilda Silva, 63, levou o neto Miguel Ângelo, de 1 ano e 3 meses, para o mutirão. Saiu do Ibura, Zona Sul do Recife, às 6h. Chegou ao prédio do INSS por volta das 7h. Pegou a senha 79. O número para entrega dos documentos (primeira etapa do atendimento) só foi chamado às 12h. “O agendamento dele estava marcado para junho. Quando ficamos sabendo do mutirão, decidimos trazê-lo para adiantar, mas não foi muito bom, pois estamos esperando há muito tempo. Ele fica irritado, chora, fica com fome e não sabemos a hora que vamos sair daqui”, relatou a avó.
A estudante Eduarda Carvalho, 16, se queixou da falta de prioridade das crianças com microcefalia. “Viemos pensando que teríamos prioridade no atendimento, pois estamos com crianças, mas não temos. São bebês que se irritam com facilidade. Eles estão com sono, fome e ficamos aqui, debaixo de árvores para dar o mínimo de conforto na sombra”, contou. A mãe de Hiago, 1 mês, chegou ao INSS às 9h e só concluiu o atendimento às 15h30.
O mutirão aconteceu com o objetivo de agilizar processos, concluindo a entrega de documentos. Após essa fase, há ainda a entrevista com assistente social e a perícia médica. Cerca de 200 mães de bebês com microcefalia se comunicaram pelo WhatsApp para avisar da realização do mutirão. “Fiquei sabendo pelo grupo e achava que seria mais rápido, mas estamos aqui há cinco horas sem atendimento”, disse a estudante Iris Adriane Silva, 15 anos, mãe de Alice, 7 meses.
O INSS informou que não divulgou que o atendimento seria exclusivo para familiares de bebês com microcefalia. “O mutirão não tinha esse fim específico. Como vieram mais pessoas do que o programado, houve a demora, mas, ainda assim, os servidores atenderam a todos. Faremos outro mutirão específico para os bebês com microcefalia”, explicou a especialista em Normas e Benefícios do INSS, Betânia Anjos. Segundo ela, esse mutirão ainda não tem data para acontecer, mas deve ser realizado em maio. Para receber o benefício, a renda familiar por pessoa deve ser de até R$ 220.
Epidemia
Dados do Ministério da Saúde mostram que Pernambuco é o estado com o maior número de casos notificados de microcefalia no país. De 9 de dezembro de 2015 a 16 de abril de 2016, o estado notificou 1.871 casos da malformação congênita. Desses, 333 foram confirmados; 778 descartados e 760 ainda estão em investigação. Em todo o país, dos 7.150 casos notificados ao Ministério da Saúde, 3.741 continuam em investigação e 2.241 foram descartados.




