Inaugurada neste ano, a cirurgia robótica encontra um terreno fértil pela frente no Estado. A presença de um robô-cirurgião Da Vinci nos procedimentos é realidade atualmente no Hospital Esperança e Santa Joana, ambos na Capital. Juntos, eles já somam cerca de 30 operações nos últimos três meses.
O que parecia apenas um sonho futurista, hoje é realidade e nos próximos anos deve virar rotina, segundo as projeções médicas. A técnica robótica alia o conhecimento humano e a precisão da tecnologia em prol de mais segurança nas operações que se tornam cada vez menos invasivas e rápidas.
Na prática, o que se vê no bloco é o cirurgião manipulando uma espécie de joystick que comanda os braços mecânicos do Da Vinci e de onde é possível ter uma visão 3D do paciente.
No Hospital Esperança, que aderiu à novidade há dois meses, a equipe comemora a marca de 20 cirurgias alcançadas no dia 27 de junho. Foram 11 urológicas (para câncer de próstata), sete bariátricas e duas de colón (intestino grosso).
O chefe do serviço de urologia do Hospital Esperança Recife, Misael Wanderley Junior, comentou que, apesar das diversas aplicações, a técnica, no mundo interior, ganhou popularidade devido às demandas urológicas, em especial dos casos de retirada de tumores da próstata. “Há uma maior aplicabilidade nas cirurgias pélvicas. Dos órgãos pélvicos, talvez o mais operado no século 21 é a próstata, porque existe uma alta incidência de câncer nessa área”, comentou.
Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Brasil esse é o 2º tipo de câncer mais comum entre os homens, atrás apenas do câncer de pele. A doença é ainda o 6º tipo mais comum no mundo e o mais prevalente entre os homens.
Misael Junior explicou que por se tratar de uma área muito sensível, a delicadeza e precisão robóticas são o diferencial para minimizar riscos no procedimento de retirada da próstata, também conhecido como prostatectomia radical. “O robô tem uma facilidade e uma aplicabilidade na dissecção da individualização das estruturas que circundam a próstata importante para a manutenção das funções sexuais e de incontinência urinária, que outra técnica não permite tanta destreza.”
A França também destacou um potencial interativo da robótica, que permite cirurgia à distância. Isso reforça que, apesar do avanço tecnológico, o robô não opera sozinho. “Acredito que será pouco provável que o robô assuma uma cirurgia um dia”, avaliou o coordenador do centro de cirurgia robótica do Hospital Santa Joana, Gilberto Pagnossin.
Fonte: Folha de Pernambuco



