09/07 – Dia do Oncologista

No dia 9 de julho comemora-se o Dia do Oncologista, profissional da medicina responsável pelo diagnóstico e tratamento do câncer. A palavra “oncologia” tem origem nos termos gregos onkos = volume e logia =estudo​. Sabe-se atualmente que o volume (onkos) é causado pelo acúmulo de células cancerosas em determinado local do corpo.

Grandes avanços em relação ao diagnóstico e tratamento do câncer ocorreram ao longo dos últimos anos no Brasil. Na década de 1920 a doença preocupava os especialistas quanto à questão das altas taxas de mortalidade em decorrência dos tumores malignos, atualmente é consenso que o diagnóstico e tratamento precoce do câncer diminuem consideravelmente as ocorrências fatais da doença.

A oncologia foi uma das especialidades escolhidas pelo presidente do Simepe, Tadeu Calheiros. Ele atua como oncologista pediatra no Hospital do Câncer, que trata de 55% dos pacientes oncológicos do estado, e contou um pouco sobre a especialização:

  1. Muitas vezes o pensamento do senso comum diz que é necessário que o profissional que trabalha com diagnóstico e tratamento do câncer seja uma pessoa “fria” para assim evitar o envolvimento sentimental com o paciente e com sua família, o que o senhor pensa sobre isso?

R- Penso o contrário. Nós estamos lidando com pessoas, não tem como não haver envolvimento sentimental, em oncologia mais ainda. Você se envolve  com o paciente e com toda a família. O médico ser verdadeiro, acolhedor, honesto é tudo que o paciente precisa para enfrentar uma doença difícil, mas com grandes possibilidades de cura. Na oncologia pediátrica especificamente, esse envolvimento se torna inevitável, e eu acho que a parte mais bonita e importante e que me faz gostar mais da oncologia pediátrica é justamente o laço que criamos não só com os nossos pequenos pacientes, mas com a família deles também. Isso faz toda a diferença na adesão ao tratamento e na sensação do paciente de acolhimento e na continuidade do enfrentamento da doença.

  1. Nas faculdades de medicina estão sendo inseridas cada vez mais disciplinas de humanismo e cidadania visando formar profissionais de caráter mais humanitário, na sua opinião qual a importância dessa metodologia de ensino na capacitação do médico oncologista?

R- É tão importante quanto qualquer estudo que existe sobre ciência, drogas, métodos diagnósticos e terapêuticos. Se não houver esse lado humanitário com essa boa relação entre médico, paciente e a família, o tratamento não vai estar completo. Então toda a formação que visa o caráter humanitário é extremamente importante não só para o médico oncologista, mas também para toda a medicina e todas as áreas que envolvem saúde.

  1. Alguns pacientes relatam que o médico oncologista muitas vezes assume o papel de psicólogo, o senhor considera essa uma abordagem eficaz e importante no tratamento?

R- Considero, sim. O médico assume vários papéis no tratamento de seus pacientes, e quando há um grande envolvimento em casos de doenças mais graves, como nas oncológicas, e esse grande número de consultas aproxima muito o profissional do paciente, o médico acaba assumindo outras funções. Porém, ele não substitui o papel dos profissionais especialistas em determinadas necessidades especificas do paciente. O tratamento de doença oncológica é multidisciplinar, tem a figura do médico, psicólogo, enfermeiros, fisioterapeutas, assistentes sociais, enfim, toda uma equipe de profissionais, cada um com seu papel definido e com grande importância em sua área de atuação e que, somando esforços, possibilita, sem sombra de dúvidas, resultados mais positivos, tanto no tratamento e curabilidade quanto na redução do número de sequelas provenientes desse tratamento.

  1. Agora uma pergunta um pouco mais pessoal, por que o senhor escolheu a oncologia?

R- Eu tive uma influência familiar muito grande. Meu pai também é oncologista pediátrico e eu desde criança e depois como estudante de medicina vi o quão prazeroso a profissão era pra ele e toda a sua dedicação àquelas crianças me motivaram. Isso deve ter me moldado ao longo dos anos e quando cursei medicina percebi que gostava da área e que quis trilhar o mesmo caminho. Hoje sou muito grato por isso, por ter tido firmeza e a possibilidade de escolher e de caminhar nessa área que, apesar de muitos pensarem ser tão difícil e dolorosa, é exatamente o contrário. O ambiente da oncologia pediátrica é de grande alegria, mesmo diante de uma doença dolorosa, vem junto com muitas vitórias. A oncologia pediátrica tem um grande poder de nos mostrar o que realmente importa e a dar um valor diferente às coisas, ela permite um envolvimento como médico de forma mais plena.

5- Quais os maiores desafios dessa área?

O maior desafio é possibilitar um diagnóstico mais precoce para os nossos pacientes, principalmente àqueles de áreas mais longínquas como os interiores mais distantes da capital. Às vezes esses pacientes demoram muito tempo para ter acesso a um diagnóstico, e esse tempo faz toda a diferença no tratamento de diminuição de sequelas. Portanto, um grande desafio é expandir esse conhecimento sobre oncologia, desmistificá-lo e com isso ajudar cada vez mais pessoas com um diagnóstico mais precoce.

  1. Em Pernambuco, tanto no ramo da pesquisa quanto na prática da profissão, estamos nos destacando?

R- Estamos sim, Pernambuco é um importante polo médico, tanto em pesquisa quanto na assistência médica, e se destaca em todas as áreas, na oncologia não é diferente. Temos centros de excelência aqui no estado e hoje não há a necessidade do paciente sair de Pernambuco para se tratar em outro lugar, o estado é perfeitamente capaz de proporcionar os tratamentos necessários para todo tipo de câncer. Esse destaque nacional, hoje, já é reconhecido.

Por: Isabela Alencar

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