Epidemia de zika ainda preocupa

O Recife, epicentro da epidemia da síndrome congênita do zika no mundo, pode voltar a sofrer nova onda de nascimentos de bebês com malformação pelos próximos dois meses. Assim como em 2015, quando a mudança de padrão começou a ser percebida cerca de seis a nove meses depois dos picos de infecção pelo vírus, é possível que as notificações voltem a subir. Mas como os casos de zika neste ano ocorreram em menor frequência na cidade, o prognóstico é de que as notificações sejam significativamente menores que aquelas registradas desde outubro do ano passado. A análise foi feita durante o lançamento nacional do Zikalab, um laboratório de formação do trabalhador de saúde no Contexto da Microcefalia, no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip).

A capital pernambucana tem 361 casos de microcefalia notificados, dos quais 205 foram descartados, 65 confirmados e outros 91 seguem em investigação, e foi uma das cinco escolhidas no país para receber a iniciativa. A partir do Zikalab, serão capacitados 300 profissionais de saúde, a maioria que trabalha no serviço municipal de assistência em temas como prevenção, epidemiológica, clínica médica de grávidas e puérperas, intervenções precoces para os recém-nascidos e intervenções oportunas. Serão 60 horas de aula, das quais 40 dentro de sala e outras 20 em trabalho de campo. As aulas começam no próximo dia 4, em local a ser definido.

As turmas serão ministradas por profissionais pernambucanos, que foram capacitados há cerca de três semanas, junto aos organizadores do Zikalab. As capacitações incluíram a padronização dos parâmetros clínicos e também atualização bibliográfica sobre o zika. A ideia é que os alunos possam se transformar em multiplicadores do conhecimento agregado e ele assim possa atingir um público quatro vezes maior que os 300 profissionais iniciais.

“Está se avizinhando a pior pandemia da história por vírus desde a Aids, nos anos 1980. O zika já tem distribuição em mais de 70 países e no Brasil está se disseminando com rapidez. As consequências da exposição têm sido danosas, com mais de 800 casos confirmados de microcefalia. Isso gera uma cronicidade que necessita de acompanhamento longo. Então, precisamos reunir forças para nos preparar”, afirmou o coordenador do projeto Zikalab, Thiago Lavras Trapé.

A necessidade de fortalecer a assistência foi reforçada pelo secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia. O gestor afirmou que há a possibilidade de incremento moderado nos casos de síndrome congênita do zika nos próximos meses e que a capacitação é uma das formas de garantir que estejamos preparados para dar suporte aos bebês e famílias em epidemias futuras. “A gente não pode descuidar em momento algum, pois devido às condições climáticas e à própria nova circulação do vírus podemos ter novos surtos. A gente não sabe estimar ainda o quanto da população do Recife esteve exposta ao vírus, acreditamos ser 100 mil, mas não há estudo para comprovar”, disse o gestor.

Também receberão o Zikalab as cidades de Salvador (BA), Campina Grande (PB), Cuiabá (MT) e Araguaína (TO). A intenção é atingir todas as regiões do país, sobretudo o Nordeste, diante da rápida expansão do vírus zika. Desde 2007, 72 países notificaram a Organização Mundial da Saúde (OMS) por transmissão do zika. De 2015 para setembro deste ano, 55 registraram surto. E 20 territórios mundiais reportaram casos de microcefalia ou outras malformações por associação de infecção pelo vírus.

“O zika se caracteriza neste momento por situação de pandemia. O grande problema é que ele deixa sequelas dramáticas na sociedade. Crianças malformadas que terão desenvolvimento psicomotor atrasado e um  comprometimento na sua autonomia”, detalhou o coordenador clínico do projeto e conselheiro científico da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses, André Ribas.

O Zikalab é uma parceria do (Instituto de Pesquisa e Apoio ao Desenvolvimento Social (Ipads), da Johnson & Johnson e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

Estatística

Arboviroses no Recife
Em 2016

28,7 mil casos notificados

  • 15,8 mil deles de dengue
  • 8,8 mil deles de chikungunya
  • 4 mil deles de zika

11 mil casos confirmados

  • 8,4 mil de dengue
  • 2,6 mil de chikungunya
  • 40 de zika

Microcefalia

  • 361 notificados
  • 205 descartados
  • 65 confirmados
  • 91 em investigação

Bairros com maior risco de adoecimento

  • Sítio dos Pintos
  • Dois Irmãos
  • Mangabeira
  • Santo Antônio
  • Recife

Fonte: Diario de Pernambuco

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