Os movimentos do governo Michel Temer para aprovar a Reforma da Previdência já estão reverberando no mercado brasileiro de crédito. Alguns bancos decidiram suspender a oferta de empréstimo consignado para aposentados e pensionistas. Os clientes afetados são os aposentados por invalidez com menos de 60 anos de idade. Essa fatia do mercado será alvo da chamada operação pente-fino, que vai revisar benefícios concedidos a 1,1 milhão de pessoas há mais de dois anos.
Os bancos não querem bancar o risco de emprestar dinheiro a um aposentado que poderá perder o benefício. Segundo informações do INSS, após a revisão das aposentadorias, alguns beneficiários poderão ser considerados aptos a voltar ao mercado de trabalho. Quem se recusar a fazer a perícia poderá perder a aposentadoria. Como o desconto do consignado é feito direto na folha de pagamento do INSS, as instituições financeiras estão se prevenindo da inadimplência.
“A informação que tivemos dos bancos é de que eles estão se adaptando às novas regras da aposentadoria propostas pelo governo federal. Estão restringindo os financiamentos por prevenção. A orientação é ter mais cuidado”, diz Geraldo Costa, proprietário da M&C Crédito no Estado, que opera com vários bancos, como o Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Daycoval.
O receio do mercado é restringir ainda mais a oferta de crédito no País, diante de um cenário de escassez. “Pode ser ruim porque vai diminuir o universo de clientes”, afirma Costa, que tem uma carteira de 15 mil usuários. A M&C Crédito tem 15 anos de atuação no setor de empréstimo consignado.
No mercado circula a informação de que o Banco Daycoval já teria informado aos correspondentes bancários sobre a suspensão do crédito consignado para aposentados por invalidez com menos de 60 anos. A instituição estaria mantendo os financiamentos para aposentados por invalidez apenas para os com mais de 60 anos, que não serão atingidos pela Reforma da Previdência.
Procurado pela reportagem do JC, o Daycoval informou por meio de sua assessoria de comunicação que não vai se pronunciar. Já o Banco do Brasil esclareceu que não adotou qualquer restrição à concessão de crédito consignado, por conta das mudanças nas regras dos benefícios previdenciários. O Bradesco respondeu que “o banco continua operando normalmente, considerando-se as políticas internas de concessão de crédito”.
DÉFICIT
As mudanças propostas pelo governo Temer são uma tentativa de estancar o déficit da Previdência. Para este ano, calcula-se um descompasso de R$ 146 bilhões entre a arrecadação e os benefícios a serem pagos. Isso representa um aumento de 70% sobre o ano anterior. Para 2017, a projeção é de um déficit de R$ 200 milhões.
O governo estima que existem hoje três milhões de pessoas recebendo aposentadorias por invalidez há mais de dois anos, representando um custo mensal de R$ 3,6 bilhões.
Além de passar um pente-fino na aposentadoria por invalidez, a reforma também propõe aumentar a idade mínima para requerer o benefício, que só seria concedido para pessoas com mais de 65 anos. As lideranças sindicais consideram a reforma um retrocesso e o governo afirma que a medida é urgente para que os futuros beneficiários consigam receber.
Fonte: Jornal do Commercio



