Mães de crianças com microcefalia celebram pela primeira vez dia de conscientização sobre vírus da zika

Criada por lei estadual, a data foi lembrada em festa realizada no bairro do Barro, na Zona Oeste do Recife.

Mães de crianças que nasceram com microcefalia em Pernambuco participaram de uma ação que marcou o Dia de Conscientização da Síndrome Congênita do Vírus da Zika. Criada por lei estadual, a data foi celebrada pela primeira vez neste sábado (27), no bairro do Barro, na Zona Oeste do Recife.

Na celebração, as mães e crianças cantaram e rezaram para agradecer pela vida dos meninos e meninas, que estão completando 3 anos. Juntas, as mulheres lutam pelos direitos e alertam as grávidas para os riscos de contrair o vírus da zika e orientam como elas devem se proteger.

Valéria Gomes Ribeiro, mãe adotiva de João Lucas, conta como é a experiência de criar uma criança que nasceu com a síndrome congênita.

“Esses três anos representam muito amor, muito carinho. João é minha luz, ele representa para mim vida, alegria, felicidade. Em tudo aquilo que você imagina ser ruim, cansativo, João dá forças para você continuar”, declara.

Ela lembra da luta para ficar com a criança. “Eu escolhi ser mãe de João. Foram três anos de luta e espera, mas eu tinha certeza de que eu ia conseguir essa guarda definitiva. Deus me deu essa missão e nada melhor que ter paciência. Eu tive, esperei e, em setembro, consegui a guarda definitiva”, ressalta.

As crianças que nasceram com microcefalia durante o surto da zika completam, em 2018, três anos de vitória. De acordo com dados da Secretaria de Saúde de Pernambuco, desde 2015, quando aconteceu a epidemia, ocorreram mais de 400 casos.

Nesse período, as mães aprenderam a conviver com os problemas e enfrentar as dificuldades. Germana Soares, criadora da União de Mãe de Anjos (UMA), destaca aimportância da celebração.

“Estamos aqui, depois de três anos, agradecendo pela vida das nossas crianças, que foram tão subestimadas no início. Diziam que elas não passariam de um ano e hoje, estamos aqui, juntas, fortes e unidas, comemorando o terceiro ano de vida delas”, declara.

Para Germana, o próximo desafio é montar um centro de saúde funcional na sede da UMA, para garantir assistência adequada e de qualidade para as crianças.

“Esse amor e essa luta são para sempre. É um amor que se multiplica, que se renova, é uma força que a gente não sabe nem explicar, que vem deles. De cada sorriso, de cada vitória, cada evolução”, afirma.

Fonte: G1

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