Remédios fitoterápicos geram saúde e renda para moradores de Jardim Muribeca, em Jaboatão

População utiliza medicamentos feitos com produtos medicinais, preparados por mulheres que desejam complementar a renda. Médico local orienta sobre tratamento.

No posto de saúde de Jardim Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, o atendimento do médico Pedro Costa ganha destaque entre os pacientes. Remédios fitoterápicos feitos com plantas medicinais estão entre os receitados pelo profissional e podem ser retirados no Centro de Saúde Alternativa (Cesam). O centro vem gerando renda e saúde para os moradores da área.

“A aceitação da população, uma vez que a gente explica, é boa. São [remédios] bem mais acessíveis, o preço é mais barato, e a gente consegue ter uma resposta mais adequada quando bem prescrito”, afirma o profissional de saúde.

A dona de casa Vanessa Lins, mãe de Valentina, de três anos, tem se sentido nervosa ultimamente. “Tenho problemas para dormir, fico me acordando direto e não estou dormindo direito”, afirma.

A indicação médica veio depois de uma conversa. “Vou prescrever extrato de mulungu, de 35 a 40 gotas à noite, aí você vai até o Cesam, que tem um pessoal que orienta”, diz o médico.

Ao lado dos prédios abandonados do Conjunto Muribeca, um espaço de 600 metros quadrados abriga quase todos os materiais usados nos remédios naturais. São extratos que saem de folhas, frutas e cascas de árvores, colhidos por seis mulheres que trabalham em cooperativa e conhecem os segredos das plantas.

“Não pode colher na chuva, não pode no sol quente, tem horário para isso”, diz Jeane Virgínia Lins, que participa das colheitas.

“Eu não levantava mais o braço. Agora posso fazer isso e não sinto nada. A minha diabetes ele controlou, a minha pressão ele controlou”, afirma o aposentado Vandinaldo José, depois de sessões de acupuntura.

O material é levado para um laboratório no primeiro andar do prédio principal, onde começa o processo de transformação das plantas em remédios. As folhas de azeitona, por exemplo, são lavadas com bucha e secadas naturalmente.

“Depois a gente seleciona as folhas, corta, pesa, bota na infusão. Tudo é pesado. Demoram uns 12 dias para ficar tudo pronto”, afirma a auxiliar de manipulação Marluce Santana. Além de tinturas, também são produzidos xaropes (lambedores) e produtos de higiene pessoal.

“A gente faz sabonetes, pomadas, xampus e coisas que são para beleza num dia diferenciado dos dias de lambedor e tintura”, explica a auxiliar de manipulação Arnailda Ferreira.

Dessa produção, seis mulheres tiram dinheiro para complementar a renda de casa e garantem que os clientes sempre voltam. Alguns deles, à vontade, têm autonomia para pegar o que querem nas prateleiras.

“Venho comprar tintura de azeitona para fazer doação, principalmente para os meus vizinhos que têm diabetes. Eles controlam com essa tintura”, diz o aposentado João Batista.

Para o fisioterapeuta Alcides Silva, a vida do pai mudou depois de conhecer o Cesam. “Temos um oásis de medicações naturais no meio da cidade. E aqui é fantástico. Meu pai tomava medicações para depressão com orientação médica, nós trocamos pelo mulungu e hoje ele está muito bem”, diz.

O médico Pedro Costa, no entanto, faz um alerta sobre o uso de medicamentos fitoterápicos. “É importante ressaltar que não sejam usados de maneira inadequada. Tem que ser um tratamento sério e com a indicação adequada”, afirma.

Fonte: G1

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