Há duas possibilidades de uma mulher com identidade masculina ter um pênis. Uma delas é a escolhida por Alexandre e por 80% dos transexuais como ele: a metoidioplastia. Trata-se de uma combinação de tratamento hormonal e cirurgia: a testosterona faz o clitóris crescer e, na mesma operação, os médicos constroem nele um canal que se ligará à uretra. Mas, como em toda cirurgia, existe o risco de complicações, ressalva a coordenadora do Projeto Transexualismo do Hospital das Clínicas da UFG, a ginecologista Mariluza Terra Silveira.
Alexandre ainda não confirmou sua cirurgia na UFG. De acordo com Mariluza Terra Silveira, ele antes precisa ir a Goiânia e cadastrar-se na Secretaria Municipal de Saúde.
A alternativa mais arriscada seria a faloplastia, que consiste em implantar um pênis moldado a partir do enxerto de pele e tecido vascularizado do próprio paciente. Tem em comum com a metodioplastia a criação de um saco escrotal usando a pele dos grandes lábios e próteses de silicone. Porém não fazemos essa cirurgia porque são maiores as chances de infecção e de cicatrizes mais aparentes, explica a médica.
Atualmente três pacientes esperam pela metoidioplastia no hospital da UFG. Cinco dos sete já operados entraram no bloco cirúrgico em maio deste ano, quando visitou a unidade um dos mais reconhecidos especialistas em troca de sexo do mundo, o sérvio Miroslav Djordjevic. Ele é professor de urologia e responsável pelo Centro de Cirurgia Genital Reconstrutiva de Belgrado, que operou mais de 100 transexuais sérvios e estrangeiros em 2011.
Mas redesenhar o corpo para que corresponda à identidade psíquica não começa pela mesa de operação. Pelo menos dois anos antes o transexual inicia o acompanhamento com equipe que inclui médicos, enfermeiros, psicólogos e psiquiatra. Além disso, há tratamento com hormônios.
Além do hospital do Centro-Oeste, apenas outros três hospitais do Brasil oferecem a metoidioplastia os das Universidades de São Paulo (USP), Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
RECIFE
O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco mantinha desde 2001 serviço de cirurgia de mudança de sexo, porém não realizava nem a metoidioplastia nem a faloplastia. Operou 23 transexuais que desejavam um corpo feminino. No entanto, o setor está fechado desde abril último e não há previsão de retorno.
Segundo o médico Sabino Pinho, que coordenava o serviço até o início deste ano, houve somente quatro casos de mulheres que retiraram seios, útero, trompas e ovários e fizeram tratamento para obter aparência masculina, porém sem construção de pênis.
Fonte: JC



