Hospital só fez até agora sete cirurgias

A cirurgia de construção de pênis a que Alexandre Emanuel pretende se submeter só foi realizada em outros sete pacientes no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (UFG), onde ele deseja ser atendido, desde que se implantou o serviço na unidade, há 13 anos. Bem menos que a quantidade de transexuais que desejam ter um corpo feminino. Estes se operaram quase sete vezes mais no mesmo período, com 47 intervenções. A complexidade de se criar cirurgicamente um órgão masculino e os riscos que essa operação implica contribuem para que poucos transexuais como o pernambucano queiram encarar o desafio.

Há duas possibilidades de uma mulher com identidade masculina ter um pênis. Uma delas é a escolhida por Alexandre e por 80% dos transexuais como ele: a metoidioplastia. Trata-se de uma combinação de tratamento hormonal e cirurgia: a testosterona faz o clitóris crescer e, na mesma operação, os médicos constroem nele um canal que se ligará à uretra. “Mas, como em toda cirurgia, existe o risco de complicações”, ressalva a coordenadora do Projeto Transexualismo do Hospital das Clínicas da UFG, a ginecologista Mariluza Terra Silveira.

Alexandre ainda não confirmou sua cirurgia na UFG. De acordo com Mariluza Terra Silveira, ele antes precisa ir a Goiânia e cadastrar-se na Secretaria Municipal de Saúde.

A alternativa mais arriscada seria a faloplastia, que consiste em implantar um pênis moldado a partir do enxerto de pele e tecido vascularizado do próprio paciente. Tem em comum com a metodioplastia a criação de um saco escrotal usando a pele dos grandes lábios e próteses de silicone. “Porém não fazemos essa cirurgia porque são maiores as chances de infecção e de cicatrizes mais aparentes”, explica a médica.

Atualmente três pacientes esperam pela metoidioplastia no hospital da UFG. Cinco dos sete já operados entraram no bloco cirúrgico em maio deste ano, quando visitou a unidade um dos mais reconhecidos especialistas em troca de sexo do mundo, o sérvio Miroslav Djordjevic. Ele é professor de urologia e responsável pelo Centro de Cirurgia Genital Reconstrutiva de Belgrado, que operou mais de 100 transexuais sérvios e estrangeiros em 2011.

Mas redesenhar o corpo para que corresponda à identidade psíquica não começa pela mesa de operação. Pelo menos dois anos antes o transexual inicia o acompanhamento com equipe que inclui médicos, enfermeiros, psicólogos e psiquiatra. Além disso, há tratamento com hormônios.

Além do hospital do Centro-Oeste, apenas outros três hospitais do Brasil oferecem a metoidioplastia – os das Universidades de São Paulo (USP), Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

RECIFE

O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco mantinha desde 2001 serviço de cirurgia de mudança de sexo, porém não realizava nem a metoidioplastia nem a faloplastia. Operou 23 transexuais que desejavam um corpo feminino. No entanto, o setor está fechado desde abril último e não há previsão de retorno.

Segundo o médico Sabino Pinho, que coordenava o serviço até o início deste ano, houve somente quatro casos de mulheres que retiraram seios, útero, trompas e ovários e fizeram tratamento para obter aparência masculina, porém sem construção de pênis.

Fonte: JC

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