Governo quer colocar médicos no interior até outubro e consolidar programa até o ano que vem
O governo corre contra o tempo para colocar médicos no interior do país até outubro e dar a primeira resposta concreta às manifestações de rua que sacudiram o Brasil em junho. O Ministério da Saúde garante que, até o final de setembro, profissionais brasileiros e estrangeiros estarão em condições de atender a população mais carente.
O Palácio do Planalto espera ter o programa completamente consolidado em junho de 2014. “No mês em que a Copa do Mundo estiver começando, as pessoas estarão nas ruas novamente. Precisamos ter algo a apresentar para que a pressão não seja igual à que sofremos nesse ano e entrarmos na disputa eleitoral em condições de competir”, confidenciou ao Correio Braziliense/Diario um interlocutor governista.
O Programa Mais Médicos passou a ser a prioridade zero do governo. No início de 2013, a presidente Dilma Rousseff prometeu dedicar-se às concessões de rodovias, ferrovias, portos e estradas e à retomada do crescimento econômico. O Produto Interno Bruto (PIB) já deu sinais inequívocos de que continuará crescendo abaixo dos 2,5% nos próximos dois anos. Com isso, Dilma precisa encontrar uma marca política para apresentar na campanha.
A expectativa é de que o êxito do programa possa minimizar os ataques que ele vem sofrendo desde que foi anunciado, sobretudo das associações de médicos. “Não se pode admitir qualquer tentativa de postergar a presença de médicos para a população que mais precisa”, defende o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ele próprio pré-candidato do PT ao governo de São Paulo. No governo, existe a certeza de que, se no início do ano que vem, 80% das 700 cidades que não têm sequer um médico tiver um profissional para atender a população, as queixas das associações médicas serão interpretadas como uma mera reação corporativa.
Até mesmo no PT há quem ache que o Palácio está supervalorizando o programa. “O Mais Médicos será a resposta mais efetiva do governo às reivindicações das ruas. Mas o que vai definir a reeleição da presidente Dilma será a economia”, afirmou ao Correio um ministro com livre trânsito no gabinete presidencial. Ciente de que o PIB não vai retomar o patamar dos sonhos, este ministro afirma que toda a atenção deve ser dada à manutenção do emprego. “Temos que gerar postos de trabalho, ainda que lentamente, e dar garantias à quem está empregado de que não existem riscos de demissão”, completou o ministro. (Do Correio Braziliense)
Fonte: Diario de Pernambuco



