A discussão sobre promoção de saúde, é um dos assuntos mais impactantes, nas últimas décadas, sendo que a mesma vem cada vez mais sendo incentivada pela ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (O M S).
E neste contexto, a situação da saúde no Brasil, tanto do ponto de vista público, como do ponto de vista privado, vem cada dia mais sendo debatida e discutida, com o intuito de propiciar a melhoria da saúde a população de forma global.
É importante aferir que o Brasil tem um modelo próprio de Saúde Pública, que teoricamente é bastante abalizado e bem esquematizado, servindo de inspiração para outras nações, mais infelizmente na prática não funciona como tal.
Já o estado de Pernambuco, no conjunto dos estados da união, se apresenta com a segunda maior rede pública do país, bem como é atualmente considerado o 2º polo médico em termos de medicina suplementar; possuindo portanto uma série de problemas inerentes a atual situação do pais, como veremos a frente.
SITUAÇÃO ATUAL NOS TRÊS NÍVEIS
NÍVEL PRIMÁRIO
No tocante a situação de saúde da rede básica, a mesma se apresenta bastante deteriorada principalmente no interior do estado, em decorrência das condições de trabalho, recursos humanos e de incentivo a manutenção do mesmo, tendo em vista a falta de concurso público e uma politica de perpetuação desses recursos.
NÍVEL SECUNDÁRIO
A situação da média complexidade, se assemelha a do nível primário, em decorrência dos ponto já citados anteriormente, com piora da situação em vista da falta de referência e contra referência.
NÍVEL TERCIÁRIO
A este nível as condições de trabalho se assemelham, a uma situação de guerra, em vista das dificuldades anteriormente citadas, e a demanda de forma por vezes incontrolável do número de pacientes que lotam as urgências, emergências, e principalmente as maternidades.
PRINCIPAIS COMPLICAÇÕES ASSOCIADAS AOS TRES NIVEIS
a) Nível Básico = Ausência de condições de trabalho; Diminuição e falta de recursos humanos; Ausência de uma politica de fixação e incentivo aos recursos humanos, principalmente a nível do interior (interiorização da medicina); Informatização; Ausência de uma politica de SANEAMENTO BÁSICO; Falta de uma politica na Área Educacional para a população de forma geral no sentido de orientação e prevenção das doenças; Inexistência de uma politica de Formação de Consórcio de Saúde; Fortalecimento ao Programa de Doenças Negligenciadas (Tracoma, Hanseníase, Tuberculose, Esquistossomose, Filariose, Doenças de Chagas e Helmintíase) o SANAR; Revisão na forma e no proceder do tratamento dos pacientes Psiquiátricos.
b) Nível Secundário = As já citadas anteriormente; Falta de referência e contra referência; Ausência de politica mais efetiva para os pacientes crônicos e com sequelas, que necessitam de internamento domiciliar.
c) Nível Terciário
Em vista do que já foi citado anteriormente, a demanda de paciente sobrecarrega as Urgências e Emergências dos principais hospitais da capital, criando um verdadeiro cenário de GUERRA, fazendo com que a população não consiga ser assistida adequadamente gerando uma verdadeira MISTANÁSIA, o mesmo ocorre a nível das Maternidades, principalmente pelo fechamento e redução das maternidades de baixo risco, ocasionando a superlotação das maternidades de Alto Risco como a do hospital Barão de Lucena.
Ocorre ainda como agravante deste cenário, as seguintes situações: a) redução do número de leitos hospitalares; b) aumento no número de acidentes de moto, ocasionando uma elevada taxa de internamento da traumato – ortopedia nas grandes Emergências, com um alto custo para os hospitais, além de uma permanência hospitalar alta, e gerando ainda uma Fabrica de Aleijados em decorrência que a maioria dos casos não são operados em tempo hábil; c) ausência de hospitais de retaguarda para as grandes Emergências; d) falta de recursos financeiros, principalmente da esfera Federal.
Em relação as UPAS e NOVOS HOSPITAIS, criados neste últimos anos em Pernambuco, ocasionou num primeiro momento uma melhoria da saúde pública, porém com o passar do tempo, verificou-se que as UPAS se tornaram verdadeiros ambulatórios, com pouca resolubilidade, por falta de referência e contra referência, já os novos hospitais se apresentam superlotados. Favorecendo ainda a desassistência na rede básica dos principais municípios aonde foram implantadas, devido a falta de interesse das prefeituras destes municípios, exceto com suas raras exceções.
Ainda como complicador desta, situação o gerenciamento destas upas e destes hospitais são geridos, por organizações não governamentais, que visam principalmente o lucro, e por vezes vão diretamente de encontro contra os princípios do SUS.
SOLUÇÕES A SEREM EFETIVADAS
Aumento dos recursos financeiros para o SUS, principalmente da esfera Federal, bem como, fiscalização dos mesmos, com punição adequada a mal versão da utilização dos mesmos; Administração destes recursos, por técnicos da área, procurando evitar a colocação de pessoas só pelo aspecto político; Carreira de Estado para a classe médica e demais profissionais associada há um PCCV (Programa de Cargos, Carreira e Vencimentos) , com financiamento da três esferas e com maior peso da área Federal e realização de concurso público; Aumento do número de leitos hospitalares; Aumento e promoção do Saneamento Básico; Revisão da politica na área da Psiquiatria, Doenças Negligenciadas e das Maternidades: Formação de consórcio de saúde em Pernambuco, já existindo um trabalho realizado por Keila Silene de Brito e Silva, que inclusive foca a concepção do gestor e foi realizado na Zona da Mata Norte; A administração e gerenciamento das unidades de saúde, devem ser realizadas exclusivamente pelo poder público e seguindo os princípios basilares do SUS; Informatização dos serviços e realização de teleconferências diante das necessidades que forem surgindo; Educação continuada para todos os servidores; Programas de educação e prevenção para a população; Adequação das unidades de saúde para a realidade local; Criação de uma politica para a redução do uso de motos, associada há criação de um imposto em relação as montadoras e fabricantes das mesmas, que venha a desestimular a venda deste de veiculo; Criar UPAS de especialidades, dando ênfase a clinica médica, tocoginecologia, cardiologia, ortopedia e outras;
E FUNDAMENTALMENTE VONTADE POLITICA.
SINTESE DA ATUAL SITUAÇÃO E PESPERCTIVAS
A atual situação do estado de Pernambuco é preocupante, tendo em vista tudo o que já foi dito anteriormente, urge portanto que ações sejam tomadas para a correção do atual caos que impera na maior parte da saúde pública, sendo que estas transformações só ocorreram quando os nossos Governantes, tiverem vontade politica para realiza-las cabendo ainda não só entidades não governamentais, sindicatos e etc, mais principalmente o povo se manifestar e pressionar estes gestores a atuarem de forma correta, respeitando os dizeres da nossa Constituição, em relação a saúde aonde de forma objetiva diz: QUE A SAÚDE É DIREITO DE TODOS E DEVER DO ESTADO.
Por José Tenório
Médico Infectologista e Geriatra



