A crise hídrica – grave problema de saúde pública

O Brasil vive um dos períodos mais secos e quentes de sua história. As médias de precipitação de chuva estão muito abaixo do esperado em diversas regiões do país. Aliadas às questões climáticas, falhas de obras estruturais, planejamento e gerenciamento para armazenamento e distribuição adequados e uma crescente demanda no consumo da água vêm agravando diariamente a situação dos principais reservatórios de água potável e para geração de energia nas grandes regiões metropolitanas. Alternativas, portanto, têm sido buscadas para reduzir o consumo, racionalizar a distribuição e aumentar a capacidade de armazenamento de água. Muitas são acertadas, outras nem tanto. Uma destas alternativas está relacionada ao aproveitamento/coleta da água da chuva para uso doméstico. A preocupação é que, em muitos casos, o desconhecimento da população leva a um aumento de riscos de disseminação de doenças. Sendo assim, o que poderia ser uma boa alternativa para resolver o problema do abastecimento, transforma-se em um grave problema de saúde pública. Considerando que a composição da água da chuva depende de fatores que vão desde as condições meteorológicas até o local de coleta, a qualidade da água pluvial captada nas grandes áreas urbanas é bastante variável, podendo devido à poluição atmosférica conter substâncias tóxicas. Além disso, ao passar pelo sistema de coleta (telhado, calha e coletor de armazenamento) essa água também pode ter sua qualidade reduzida, seja pela utilização de recipientes de armazenamento impróprios ou sujos, bem como por falha na manutenção do sistema, o que pode expor a água às fezes ou carcaças de animais mortos. Portanto, para usos mais nobres (beber, tomar banho, cozinhar e lavar louça) a água deve ser potável, isto é, estar em conformidade com padrões biológicos, físicos e químicos estabelecidos, que garantam ausência de risco à saúde humana. Assim, indica-se que a água de chuva coletada seja utilizada para usos menos exigentes como lavagem de roupas, descarga de sanitários, rega de jardins, limpeza de pisos e veículos. O armazenamento inadequado da água pode aumentar os criadouros de mosquitos, especialmente o Aedes aegypti, favorecendo o aumento dos casos de Dengue – fato já observado no mês de janeiro, quando comparado com o mesmo período do ano passado. Além disso, outras doenças podem ser veiculadas pela água potencialmente contaminada, como a Leptospirose, diarreia, hepatite. Dessa forma, o armazenamento da água da chuva é, sim, uma boa alternativa para reduzir a crise de abastamento e racionalizar o consumo, mas o seu destino deve ser adequado e o cuidado na hora de guardá-la, também.

Fonte: Folha de Pernambuco

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