“São Paulo deve ter um “boom” de Microcefalia em 2016, alerta médio da Unesp”. Esta foi uma das hamadas da primeira página de meios de comunicação da capital aulista, publicada ontem. Outros pronunciamentos de respeitados médicos ratificam a grave situação, intimamente relacionada com os recém-nascidos que correm o risco e serem vítimas de microcefalia. A essa preocupante previsão, associam-se as graves doenças, cujo principal vetor é o inseto “Aedes gypt”, responsável pelo natural temor que afeta milhões de mulheres brasileiras em condições de engravidar. Vivemos em uma dimensão singular, comparando-se os riscos da Microcefalia com estatísticas produzidas pelo Relatório da ONG “Save The Children”, divulgado no mês maio passado, em que foram analisadas 179 nações, cuja conclusão relaciona os países, onde existem as melhores condições para ser mãe. O estudo levou em consideração a saúde materna, o bem-estar da criança, a educação, a economia e o status político. Os dez primeiros – todos europeus – foram os seguintes na ordem decrescente: Noruega, Finlândia, Islândia, Dinamarca, Suécia, Holanda, Espanha, Alemanha e Bélgica. Os dez piores foram Serra Leoa, Guiné-Bissau, Chade, Costa do Marfim, Gâmbia, Níger, Mali, República Centro-Africana, República Democrática do Congo e Somália, todos, sem exceção, situados na África e ex-colônias das grandes nações nos séculos XIX e XX. No ranking na América do Sul e Caribe, ser mãe em boas condições obedece a esta ordem: Argentina (36ª), Cuba (40ª), Chile (48º), Uruguai (56º), Equador (61º), Venezuela (74ª), Colômbia (75ª), o Brasil (77º), Peru (79º) e a Bolívia (88ª). A ONG “Save the Children” atua em todo o mundo, trabalhando pelos direitos das crianças. Naquela última e 16ª edição, o relatório “State of the World´s Mothers” classifica os melhores e piores países para se criar filhos. No estudo efetuado em 2014, o Brasil figurava na 76ª colocação, perdendo, este ano, uma posição, ficando na 77º lugar. É curioso registrar que nações desenvolvidas, como os EUA, o Reino Unido, o Canadá, a França etc. não constam dos primeiros lugares, enquanto Cuba, uma pequena ilha tão estigmatizada pela grande imprensa, tenha sido classificada em segundo lugar no ranking da América do Sul e do Caribe, perdendo apenas da Argentina. Quanto ao Brasil, o resultado não causa surpresa, ratificando a grande desigualdade que ainda perdura desde décadas, tanto no plano social e econômico, aspecto também revelador da grande concentração de renda que permanece nos acompanhando, apesar de ter sido reduzida nos últimos dez anos, por intermédio de políticas públicas aplicadas em benefício dos mais carentes.
Fonte: Folha de Pernambuco



