A audição e a linguagem caminham de mãos dadas para promover o desenvolvimento do bebê. Por isso, é tão importante detectar de forma precoce qualquer grau de deficiência auditiva e, consequentemente, iniciar um tratamento que favoreça a comunicação na infância. Foi assim com a pequena Nathally Vitória, 9 meses, uma das primeiras crianças com microcefalia que nasceram na era zika e que começaram a ouvir os primeiros sons graças à colocação de próteses auditivas posicionadas atrás das duas orelhas. Ela é uma índia xucuru, da cidade de Pesqueira, no Agreste de Pernambuco, e recebe acompanhamento no Centro Especializado em Reabilitação da Fundação Altino Ventura (FAV), no bairro da Iputinga, Zona Oeste do Recife. A instituição já solicitou próteses auditivas para outros três bebês com a malformação.
Os aparelhos de Nathally foram colocados pela primeira vez na segunda-feira (8) e, na ocasião, a mãe e os profissionais de saúde já perceberam uma resposta positiva da menina. “Ela faz parte de um grupo de estimulação, que não estava sendo tão eficaz sem o uso dos equipamentos. Mas agora já percebemos que os estímulos estão sendo importantes para Nathally, da mesma forma que acontece com outras crianças com microcefalia que não têm perda auditiva”, explica a fonoaudióloga Valência Marinho, da FAV.
O processo de reabilitação para promover a saúde auditiva inclui não apenas o uso do aparelho, mas também a realização de terapia com fonoaudiólogo, que orienta a família a realizar atividades de estimulação em casa com o bebê. Ao seguir esse caminho, os pais e os profissionais de saúde reconhecem que não se pode deixar de investir em terapias nos dois primeiros anos de vida, que são valiosos para a aprendizagem da linguagem e o desenvolvimento global da criança.
“Com a reabilitação, Nathally passou a ter ganho auditivo. Ela escuta o que está sendo falado e, a partir de agora, a chance que tem de adquirir linguagem é maior porque passou a ouvir”, salienta Valência. “Para usar os aparelhos, a perda auditiva tem que ser bilateral (nos dois ouvidos). E Nathally tem lesão no nervo auditivo, é uma perda irreversível, mas moderada”, complementa a fonoaudióloga.
A mãe da menina, Maria Jaiane Santos da Silva se emociona ao falar do ganho auditivo da filha após a colocação da prótese. “Meu maior sonho é vê-la falar a palavra mamãe. Com o aparelho, ela agora escuta o que falamos e, se ouve, pode ser que pronuncie as palavras”, diz, esperançosa, Maria Jaiane, que se recorda do dia em que a filha usou as próteses pela primeira vez. “Ela se virava, queria conversar emitindo o som de bebezinho e não parava. Quando encontrou o pai, começou a reagir. É uma experiência ótima porque Nathally está reconhecendo quem é a gente não apenas por nos ver, mas também por nos escutar”, vibra.
Fonte: Jornal do Commercio



