Quando o primeiro caminhão com 10 mil bolsas de plasma foi descarregado há poucos dias em Pernambuco, Goiana entrou no mapa mundial como um dos 15 pontos que serão identificados, a partir de 2014, pela fabricação de hemoderivados. Para a quase totalidade das pessoas, não apenas em nosso Estado, mas em todo o País, esse foi um acontecimento menos expressivo do que, por exemplo, a eleição de domingo em uma capital ou uma disputa de futebol pelo campeonato brasileiro. Mas para um pequeno grupo, responsável pela saúde pública, esse foi um passo gigantesco para o Brasil. A dimensão especial da fábrica da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) pode ser percebida pelo tratamento que é dado ao empreendimento de Goiana: ela é tratada como a nossa fábrica ou fábrica nacional. Mais um momento virtuoso para todo o Litoral Norte de Pernambuco, que começa a ocupar, de vez, um espaço extraordinário para a economia e, sobretudo, para a tecnologia numa área médica de grande expansão, com a fabricação de albumina, imunoglobulina, fatores de coagulação medicamentos essenciais para milhares de portadores de doenças como hemofilia, câncer, aids, imunodeficiências primárias, usados no tratamento de pacientes queimados ou com cirrose, em cirurgias de grande porte, em pessoas com organismo sem defesa imunológica. E, não menos importante: não se trata de produtos somente acessíveis para quem tem recursos financeiros, mas terão a distribuição pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Talvez a partir do funcionamento completo da fábrica nacional de Goiana pelo seu impacto na saúde pública nacional e pelo significado financeiro agregado a outros empreendimentos se tenha um entendimento mais popular de o que ela representa para a saúde pública dos brasileiros. O que se diz, com mais frequência é que até agora o plasma coletado nos hemocentros de todo o País fica estocado em câmara fria de uma empresa paulista e depois é levado para o Laboratório Francês de Biotecnologia, estatal, para transformação em medicamentos que são trazidos e distribuídos pelo SUS. O procedimento continua até 2014, quando, com a fábrica nacional de Goiana, o Brasil passa a ocupar um lugar ao lado do seleto grupo formado pela França, Inglaterra, Holanda, Áustria, Espanha, Alemanha, Itália, Dinamarca, Austrália, Coreia, África do Sul, Finlândia, Estados Unidos, China e Japão.
A projeção é de que a fabricação brasileira ficará abaixo apenas dos Estados Unidos, da França, Espanha, Áustria e Austrália. O que isso representa é extraordinário em todos os sentidos: há ganhos tecnológicos, economia de divisas, o País se tornará autossuficiente, e tudo aponta na direção de uma melhoria global na hemoterapia com o aproveitamento de matéria-prima hoje desprezada. O contrato de transferência tecnológica entre a Hemobrás e o laboratório francês prevê a aquisição de conhecimento de novos produtos até o fim do acordo, com validade prevista até 2018, inclusive para a produção da imunoglobulina líquida, o hemoderivado de maior consumo no mundo.
Fonte: JC



