Tibério Moreno de Siqueira Junior – Doutor em Urologia e Membro Titular da SBU
De acordo com a Wikipédia, a maior enciclopédia livre do mundo, o termo proletário (do latim proles, “filho, descendência”) se refere ao trabalhador que vende apenas a sua capacidade de trabalhar, alienando-se de seus próprios atos e se submetendo à vontade do comprador, que o domina autoritariamente. O termo proletario foi utilizado pela primeira vez na Roma Antiga pelo rei Sérvio Túlio, para descrever os cidadãos de classe mais baixa e cuja única utilidade para o Estado era gerar proles para engrossar as fileiras dos exércitos do império.
O que de fato o Governo está fazendo nas entrelinhas, com a premissa de melhorar a saúde pública e incentivar o médico a migrar para a zona rural é, a essência do termo ´proletarii` do rei Sérvio Túlio: gerar uma imensa prole de médicos generalistas despreparados, para engrossar as fileiras de seus exércitos populistas. Fazendo assim, os governantes conseguirão de uma vez só, calar a boca da população humilde que clama por acesso ao serviço médico (mesmo que este seja de péssima qualidade) e, ao mesmo tempo, irão baratear o serviço médico, já que em pouco tempo, terão mais médicos no mercado que vendedores ambulantes de rua. Além disso, na última semana, em uma manobra proposital e covarde do Governo Federal, o projeto de lei que normatizava o Ato Médico, foi parcialmente vetado, claramente para enfraquecer mais ainda o médico brasileiro.
Todas estas medidas estapafúrdias alardeadas pelo Governo Federal têm o objetivo de desviar os olhares da população para o que realmente está acontecendo, jogando a culpa da situação precária da saúde pública no colo dos médicos. A única forma de se conseguir uma medicina decente no SUS e de interiorizar o médico, é criando um programa público federal através de concurso, como já ocorre há décadas para os juízes, tornando o trabalho médico uma carreira de Estado. Todos podem ter certeza que, no dia que o Governo lançar um programa semelhante ao do poder judiciário e com salários equivalentes, não faltarão médicos em nenhum município deste país. Finalizo lembrando que, mesmo com tudo isto, se não houver uma estrutura de saúde pública mínima, o médico não conseguirá fazer uma boa medicina.
Fonte: Diario de Pernambuco



