Sensata e oportuna a resolução da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), por meio da resolução normativa nº 407, que fez valer o direito do consumidor e determinou a obrigatoriedade para que planos de saúde passem a custear exames para detecção do zika. A análise do sangue para diagnóstico do zika vinha sendo oferecida em algumas clínicas particulares de vacinação do país chegando a custar até R$ 1.600,00. A medida, válida desde ontem, foi anunciada em tempo recorde porque os exames do vírus, principal motivador de um alerta internacional de emergência emitido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), entraram para o chamado Rol de Procedimentos e Eventos de saúde no Brasil.
Esses exames podem melhorar a rede de assistência médica para mulheres grávidas e para crianças, que, por ventura, ainda no ventre forem afetadas neurologicamente pelo zika vírus. O zika é um dos fatores geradores do surto de bebês microcefálico, apontam os estudos. Famílias com filhos em fase de tratamento sabem a diferença que faz o aparato precoce para que a criança ganhe estímulos para a reabilitação e conquiste qualidade de vida dentro das suas limitações.
Os exames que passaram na lista da Agência de Saúde são o PCR, o IgM e o IgG. O PCR (Polymerase Chain Reaction) consegue detectar o vírus nos primeiros cinco dias da doença; o IgM, teste sorológico da imunoglobulina M, identifica os anticorpos na corrente sanguínea na fase aguda; e o IgG (o imunoglobulina G) diz se em algum momento da vida houve contato com o vírus.
A partir de agora, caso haja recusa para realização dos exames, a sanção às operadoras pode chegar a R$ 80 mil. A rede pública já disponibilizava o PCR para grupos prioritários. Caberá às ginecologistas, obstetras e pediatras solicitarem os testes. Em princípio, terão direito os bebês de mães diagnosticadas com o vírus, recém-nascidos com má-formação congênita com indicação de infecção pelo zika vírus e gestantes. Deste grupo surgem os casos de bebês com microcefalia.
A medida da Agência Nacional de Saúde Suplementar será primordial também para tirar dúvidas sobre as doenças com sintomas parecidos causadas pelo mosquito Aedes aegypti e melhorar o banco de dados estatísticos sobre cada vírus. Hoje é comum a confusão entre dengue, zika e febre chikungunya e respectivos tratamentos.
Fonte: Diario de Pernambuco



