O excesso de cesarianas no Brasil sempre foi tratado como um problema de saúde pública. A solução passa pela adoção de um novo modelo de cuidado à mulher durante a gestação e o parto. Pesquisas científicas e experiências bem sucedidas, inclusive no setor privado, demonstram que é possível reduzir cesarianas com investimentos em cursos de gestantes que ajudem as mulheres a se preparar para o parto; com atendimento ao pré-natal e parto por equipes com enfermeiras obstétricas e médicos; com modelos de pagamento que remunerem melhor quem apresenta melhores resultados globais; com estímulo à participação de acompanhantes de escolha da mulher em todo o processo de cuidado; em maternidades com equipes de plantão disponíveis diariamente nas 24h; com a adoção de protocolos clínicos baseados em evidência; e com modelos de governança das maternidades; entre outras ações.
O dado objetivo está disponível, mas como se trata de uma transformação sistêmica que requer a adoção de novas ideias, os aspectos subjetivos da mudança devem receber atenção especial. Ideias novas, por mais que sejam comprovadamente benéficas, só são adotadas em larga escala quando percebidas como melhores pelos indivíduos que compõem o sistema social no qual se pretende que a mudança ocorra e essa avaliação é muito influenciada por dúvidas como: o que o outro pensa sobre esse novo modelo? Antes de decidir sobre a adoção de uma inovação, em geral, as pessoas querem saber: como funciona? Quais as vantagens e desvantagens? O processo de decisão pela adoção de inovações trata-se, pois, de um processo de comunicação.
Nesse sentido, o Projeto Parto Adequado tem obtido sucesso. Configura-se como um grande fórum de diálogo e colaboração, do qual participam cerca de 40 hospitais e 30 operadoras de planos de saúde, e tem por objetivo a melhoria da qualidade das maternidades por meio da implantação cíclica e incremental das intervenções propostas, que são testadas e ajustadas ao contexto local, possibilitando a adoção e o refinamento do que funciona e o descarte do que não funciona. O projeto é coordenado em parceria pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o Hospital Israelita Albert Einstein e o Institute for Healthcare Improvment (IHI) – instituição norte-americana que desenvolve trabalhos de melhoria da qualidade nos serviços de saúde em diversos países -, com o apoio do Ministério da Saúde.
A inovação do projeto Parto Adequado está no estímulo à comunicação interpessoal e na troca de experiências. Reconhecendo esse aspecto, ANS, IHI e Einstein estão investindo em desenvolver estratégias mais efetivas de comunicação, em especial com as mulheres, médicos e enfermeiras, acreditando que esse é o caminho para melhorar a qualidade e a segurança da atenção ao parto e ao nascimento no Brasil.
Fonte: Diario de Pernambuco



