A vez das upas

“As UPAs estão funcionando 24 horas por dia e com médicos de plantão nas especialidades de Ortopedia, Clínica médica e Pediatria. Cada UPA atende uma média de 500 pacientes por dia, com uma resolutividade de 95% dos casos. A estrutura conta com sete consultórios, área de acolhimento com classificação de risco, 18 leitos de enfermaria (quatro destinados à estabilização de casos graves) e salas de raios-x e inalação coletiva (nebulização)”. Esse era o melhor dos mundos anunciado pela Secretaria de Saúde de Pernambuco há apenas quatro anos. A crise da economia e de gestão entrou nas Unidades de Pronto Atendimento e nada do que foi dito continua.

“Madrugar, disputar fichas limitadas e guardar a dor para o dia seguinte passou a ser realidade das UPAs do Grande Recife” é a leitura atualizada do que deveria ser até aprimorado e aperfeiçoado para corresponder a tanta promessa que costuma ser feita em temporadas eleitorais. Fora delas, a realidade se faz com a degradação de um serviço público essencial contemplado por incontáveis leis, a começar pelos cinco artigos da Constituição Federal – de 196 a 200 – onde está prescrita a medicação legal destinada a garantir a saúde como direito de todos e dever do Estado.

O que está descrito na chamada Carta Magna não tem nada a ver com o mundo real mostrado em recente reportagem deste jornal, com testemunhos que escancaram uma realidade cruel: a degradação do que deveria ser um serviço público inquestionável, sobretudo porque cuida do que há de mais básico na qualidade de vida das pessoas. Do que foi visto e ouvido, uma frase deveria ser pinçada e submetida à análise crítica de todos os protagonistas do dramático quadro de saúde em Pernambuco: “É preciso rediscutir esse modelo de UPAs e Upinhas do Recife, além do papel dos hospitais regionais”. O autor da frase é o presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco, Mário Jorge Lobo, que certamente sabe do que está falando.

Entretanto, para quem precisa das UPAs e Upinhas – os que dependem do Sistema Único de Saúde e até quem não depende dele -, não é o caso de sujeitá-las a discussão ou rediscussão. Equipamentos sociais irrenunciáveis, representam um direito líquido e certo de todos por espaços abertos a qualquer hora do dia ou da noite e com os profissionais disponíveis para dar assistência, na forma como foram concebidas. Não há muito mais a se refletir nem o que se esperar de uma unidade de saúde.

É inaceitável que se comprometa um serviço indispensável dessa natureza por falta de recursos, quando se sabe que a administração pública em boa parte costuma ser inchada para atender à clientela de políticos profissionais, com um custo que poderia muito bem ser drenado para a saúde da população mais carente.

Fonte: Jornal do Commercio

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