Os caravaneiros do grupo Amarelo, situados na cidade de Serra Talhada, começaram logo cedo as atividades. Depois do café da manhã seguiram pela estrada com destino ao município de São José do Egito distante cerca de 360 quilômetros. Eram 7h15, quando o motor do microônibus foi acionado. Tempo nublado. Seguimos pela PE-320 estrada repleta buracos, sem sinalização, dificuldades a circulação de carros e veículos pesados. Mas, olhando a paisagem que ainda permanece verde. Corações e mentes pulsando de expectativas.
Chegamos a São José do Egito. O relógio marcava 11h.Conhecida como Berço da Poesia, onde nasceram os poetas repentistas e cantadores, como Otacílio Batista também conhecido como a “Voz do Uirapuru”, Dimas Batista e Lourival Batista,Rogaciano Leite, na verdade nasceu na cidade de Itapetim, antes pertencente ao município de São José do Egito, Antonio Marinho, João Batista de Siqueira também nasceu na cidade de Itapetim, (conhecido por Cancão), Jó Patriota, Ivanderlan Siqueira, atualmente mora em São Paulo
O grupo Amarelo entrou em cena, incorporando o espírito da Caravana Cremepe/Simepe 2011. A exibição do filme “Pela Vida… Pelo Tempo” foi no Centro de Inclusão Digital Professor Bernardo Jucá, mais precisamente no auditório José Lopes Neto (poeta Zé Catota) com as presenças do secretário municipal de Saúde, Augusto Valadares, da Coordenadora da Atenção Básica, Luciana Lins e dos Agentes Comunitários de Saúde.
O diretor do Simepe e conselheiro do Cremepe, Mario Fernando Lins, concedeu entrevista a Radio Gazeta FM. Ele conversou com o radialista Carlos Junior durante 30 minutos. Foram discutidos temas como: valorização do trabalho médico, verbas para a saúde, enfrentamento contra a epidemia do crack que preocupa a todos, exploração de adolescentes, fixação do médico no interior, entre outros,
O filme despertou a atenção de todos pelo fato de enfocar de maneira poética os problemas que envolvem o semi-árido, exploração sexual, violência contra os trabalhadores da Zona da Mata e pela busca da sobrevivência e felicidades através da migração.
O debate sob a coordenação dos médicos Mario Fernando Lins e Shirlene Mafra, fez avaliações de aspectos positivos e negativos sobre questões de financiamento da saúde, falta de políticas públicas, carência de investimentos em cultura e lazer, o que propicia a procura por drogas, refletindo significativamente no aumento da violência no município. Outro ponto abordado pelos participantes foi a falta de perspectivas de oportunidades de trabalho no sertão.
Nas ruas, os pesquisadores ouviram reclamações sobre a assistência nos postos de saúde, desemprego, consumo de bebidas alcoólicas e do crack que virou uma epidemia nessa região. Em relação à Unidade Rafael de Siqueira: faltam recursos humanos, medicamentos e insumos básicos para a saúde. O raio X funciona em local inadequado, o mesmo acontece com o lixo radiológico. Não existe sala de reanimação. Já no PSF Central, faltam profissionais, vacinas contra hepatite, meningite, tríplice viral, DTP, além de medicações básicas.
Pausa para o almoço. Tudo tranqüilo, apesar do calor no município.13h, partimos para Tuparetama.
Por Chico Carlos



