Ação ecológica contra o Aedes

Em tempos de consciência ecológica, o fumacê contra o mosquito da dengue está ganhando nova cara, cheiro e benefícios muito maiores. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) testa no Recife a aplicação espacial de larvicida biológico. Trata-se do mesmo produto formulado com Bacillus thuringiensis israelensis (Bti), pó inofensivo ao ambiente e pessoas, já usado pela Secretaria Municipal de Saúde em caixas-d’água. A diferença é que está sendo diluído em água e aplicado em jato ao redor dos imóveis, dentro e fora dos quintais. A capital vive epidemia da doença desde fevereiro, com 2,4% dos imóveis infestados pelo Aedes aegypti. Ao ingerir a bactéria, a larva morre.

O fumacê tradicional, borrifado no ar e nos terrenos, com auxílio de carros e de bombas costais, é um veneno químico que pode causar efeitos colaterais no homem e em outros animais. Além disso, sua ação é contra o mosquito adulto. “A aplicação espacial expande o uso do biolarvicida, garantindo o tratamento de pequenos criadouros, como tampinhas de garrafas deixadas no chão, e de outros de difícil acesso, a exemplo de calhas de telhados”, explica a bióloga Alice Varjal, pesquisadora do Laboratório de Entomologia do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, unidade local da Fiocruz.

A nova estratégia também facilita o controle dos mosquitos nos imóveis fechados. O produto, formulado na medida de 200 gramas do larvicida por cada seis litros de água, pode ser lançado em até oito metros de distância. Mata as larvas do Aedes aegypti sem provocar danos a outros insetos, pássaros e animais domésticos. “Quando usamos o inseticida químico, minutos depois é comum ver outros insetos mortos na área”, confirma Carlos Ramos, do Centro de Vigilância Ambiental (CVA) do Recife. Com mais de 30 anos de experiência em ações de controle, ele explica que o biolarvicida torna a aplicação mais segura também aos trabalhadores.

“Fico mais tranquilo quando trabalho com o produto biológico”, confirma Rubenilson Alexandre, 45 anos, há 20 atuando como agente de saúde ambiental no Recife. “Acho bom usarem esse tratamento. Não preciso esconder o cachorro”, comentou a dona de casa Marinete Macário, 66 anos, moradora de Brasilit, na Várzea, Zona Oeste do Recife. O projeto é limitado a esse território desde janeiro. O produto é reaplicado a cada 30 dias, mas os pesquisadores pretendem estender os intervalos para verificar a possibilidade de otimizar o trabalho dos agentes.

A primeira parte do projeto foi realizada entre 2012 e 2013, com aplicação no Cemitério dos Ingleses. “Ao ampliar o uso do larvicida, diminuímos a necessidade de aplicar inseticida químico contra o mosquito adulto”, explica Vânia Nunes, coordenadora da Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde do Recife. Ela adianta que o tratamento espacial com a nova apresentação do Bti deve chegar, na rotina, a pontos estratégicos, como cemitérios, depósitos de carros e ferro-velho. O trabalho, em parceria com a Fiocruz, é realizado também com a colaboração da empresa Multiave, que distribui o larvicida. A Secretaria de Saúde de Paulista pretende desenvolver projeto semelhante.

Fonte:Jornal do Commercio

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