Aguardada com ansiedade pelos brasilienses depois de longo período de seca, a chuva não traz só alegria. Traz apreensão. É a época mais propícia para a propagação da dengue. As estatísticas da capital, por si sós, acendem a luz vermelha. Doze mil pessoas tiveram a doença em 2013. Entre janeiro e a segunda quinzena de novembro, cresceu oito vezes o número de casos registrados no mesmo período do ano passado.
Ocorrências nesta ou naquela cidade, nesta ou naquela unidade da Federação representam risco para todos. O direito constitucional de ir e vir é assegurado não só às pessoas. O Aedes aegypti tampouco tem impedimentos. Vale lembrar que o Entorno faz divisa com cidades vulneráveis do Distrito Federal. Entre elas, Ceilândia e Samambaia.
Eis por que se impõem iniciativas solidárias para fazer frente ao risco. O primeiro passo vai em direção às medidas preventivas. É indispensável, para atingir resultado exitoso, a adesão maciça da população. O alvo inicial é a água parada. Aparentemente inocentes pratinhos sob vasos de plantas constituem convite para a proliferação do mosquito transmissor.
Não só. O lixo moderno joga contra o combate. Pneus, casca de ovos, garrafas PET, cacos de vidro, copos e pratos descartáveis constituem excelente depósito de líquido. Urgem, no caso, duas providências. Uma: evitar que sejam jogados ou se acumulem na rua, em jardins ou quintais. A outra: proceder à coleta cuidadosa, sobretudo nas áreas tradicionalmente marginalizadas pelo serviço de limpeza pública.
O Estado precisa se antecipar a crises. Impõe-se, de um lado, intensificar as campanhas educativas. Adultos e crianças devem ser conquistados para abraçar a causa e tornar-se fiscais da saúde. Como alertou leitora do Correio na edição de quarta-feira, “não adianta só um fazer. Se o vizinho não faz, todo mundo é afetado”.
Fiscalizar também é preciso. Agentes de saúde têm de eliminar focos e prevenir o surgimento de novos. A rede pública necessita ficar atenta para a eventualidade de aumento da procura por socorro — dos moradores do Distrito Federal e dos vizinhos que acorrem à capital por não disporem de serviço à disposição. A hora de combater o mosquito é agora. Procrastinações preparam epidemia para 2014.



