A inclusão de pediatras nas equipes do Saúde da Família, oferta gratuita de medicamentos para convulsões, descentralização de exames, serviços médicos e de reabilitação estão entre as sugestões apresentadas ontem pela Comissão de Acompanhamento aos Casos de Microcefalia da Assembleia Legislativa de Pernambuco. Um relatório das atividades realizadas em três meses de trabalho foi divulgado pela presidente da comissão, médica e deputada Socorro Pimentel (PSL), propondo ações urgentes para atender às centenas de crianças do Estado que nasceram com malformação cerebral nos últimos nove meses, vítimas da síndrome congênita atribuída a zika vírus.
“O trabalho da comissão foi prorrogado por mais três meses. Vamos viajar pelo interior e avaliar nesse período se houve alguma mudança na assistência, que precisa ser contínua”, disse Socorro, que estava acompanhada do deputado Miguel Coelho (PSB). Ela está impressionada com o sofrimento de mães, principalmente do interior, que precisam se deslocar a longas distâncias com seus bebês para ter acesso à consulta de neuropediatria e reabilitação. Propõe a ativação de UPAEs já construídas e adaptações de outros serviços regionais para atendimento às crianças.
A deputada reconhece a implantação de serviços feita pelo Estado, mas considera que é preciso ampliar a rede e instituir uma força-tarefa para agilizar exames e diagnóstico nos centros de referência. “A tomografia e a análise do líquido cefalorraquidiano precisam ser agilizados”, lembrou, citando também que as famílias gastam de R$ 200 a R$ 300, por mês, com remédios para conter as convulsões dos bebês.
No hospital da rede estadual que é referência em doença infecciosa e neuropediatria, o Oswaldo Cruz, da Universidade de Pernambuco, no Recife, a comissão constatou a necessidade de ampliação de recursos humanos, “especialmente na área de enfermagem e médica, infectologistas e neuropediatras”, convocação de duas neuropediatras aprovadas no último concurso público do Estado, de ampliação do número de leitos para doenças infecciosas e autonomia do hospital em relação a exames complementares. Também defende mais vagas para residência médica de neuropediatria.
SEM AUDIÊNCIA
A intenção da comissão era entregar o relatório em mãos ao governador Paulo Câmara (PSB) antes de apresentar o documento à sociedade. Mas como esperou quase um mês pela audiência que não foi marcada, resolveu liberar o material, pois, segundo a deputada, precisava dar início à nova etapa do trabalho.
“Já deveríamos estar fazendo novas visitas num Estado que protagoniza uma situação tão penosa. Faltou respeito ao Legislativo. Temos seis deputados da base do governo e quatro de oposição no grupo. Em nenhum momento usamos a comissão como palanque político”, desabafou.
O relatório da comissão foi enviado ao Palácio do Campo das Princesas e deve seguir também ao Ministério Público, deputados federais e senadores e à Associação Municipalista de Pernambuco, para auxiliar os prefeitos a qualificar a atenção na área.
Socorro Pimentel espera que nessa hora de crise, Estado, União e municípios não esqueçam a prioridade que a saúde merece. Propõe pactuação entre prefeituras para oferta de atendimento conjunto e implantação de centros multiprofissionais nos municípios, iniciativa já adotada por Ipojuca, no Litoral Sul do Estado.
Fonte: Jornal do Commercio



