Três vezes vítima da dengue ao longo dos últimos 20 anos, a dona de casa Dejanira França, 62 anos, moradora de Santo Amaro, área central do Recife, aprendeu que não pode descuidar de qualquer detalhe para evitar que o mosquito se reproduza na sua casa. Ela não se desfez das plantas, mas trocou vasos com água por jarros com areia. Vistoria a cozinha, o banheiro e o quintal diariamente para não deixar água retida. Também passou a fechar os ralos, impedindo que o Aedes aegypti encontre abrigo para colocar seus ovos.
Em tempos de epidemia, tornar cada morador um vigilante contra a proliferação do mosquito é o objetivo dos agentes de saúde. Em mais de duas décadas de casos constantes da doença, a Vigilância Ambiental do SUS já encontrou focos em lugares inusitados, como a emenda da pia com a parede, bandeja externa de geladeira e em bebedouros de animais. “Crio seis gatos e todos os dias lavo com água e sabão os bebedouros dos bichanos”, conta Tereza Gomes, funcionária pública e também residente em Santo Amaro.
Na campanha lançada há cerca de 30 dias, a Secretaria de Saúde do Recife indica dez lugares onde o mosquito pode se multiplicar (ver quadro). “Basta água, sombra, calor e escuridão para ele se adaptar”, explica Jurandir Almeida, gerente da Vigilância Ambiental. Ele pede que cada cidadão tire ao menos dez minutos, toda semana, para buscar e eliminar potenciais focos. Um só mosquito tem em média dois meses de vida. A fêmea pode gerar mil filhotes num ambiente. Somente com armadilhas, mais de dois milhões de ovos foram removidos dos ambientes domésticos pela Vigilância Ambiental do Recife no ano passado.
CASA DE PRAIA
Amanhã, em Paulista, no Grande Recife, a Secretaria Municipal de Saúde promoverá o 1º Passeio Ciclístico de Combate à Dengue e Chicungunha, com saída da orla do Janga para alertar especialmente quem tem casa de veraneio. “No fim de semana, a família pode aproveitar para eliminar potenciais focos”, lembra Fábio Diogo da Silva, superintende de Vigilância à Saúde do município. A cidade tem 120 mil imóveis, já registrou 72 casos suspeitos nesse início de 2015 (quase o dobro do mesmo período do ano passado) e o bairro que mais preocupa é o Janga, pela densidade demográfica e a população flutuante do sábado e domingo, que deixa a casa fechada no resto da semana, impedindo a vistoria regular dos agentes de controle de endemias. “A fêmea do Aedes deposita seus ovos em diferentes locais e pode encontrar uma brecha mesmo nos reservatórios aparentemente fechados”, lembra. Em sete anos de experiência no controle da dengue, Fábio já viu muitas larvas se desenvolvendo em tampinha de garrafa PET. Em Paulista e em Olinda, os focos encontrados pelos agentes recebem larvicida biológico. “O cloro também mata as larvas. Deve ser usado na limpeza doméstica, nos ralos e trilhos dos boxes do banheiro”, ensina Fábio Diogo da Silva.
Fonte: Jornal do Commercio



