Marcado por períodos de sol intercalados com chuva, ambiente propício à proliferação do Aedes aegypti, o verão, que começa oficialmente hoje o Brasil, tem um fator preocupante a mais neste ano: o zika. O vírus, que voltou a ser notificado no País em abril este ano, estará circulando unto, pela primeira vez, com dengue e a febre chikunguya, todos transmitidos pelo Aedes. Além do risco da cooinfecção (em uma única picada o mosquito contrair mais de ma dessas viroses), o agravante é o fato do zika ter relação com os casos de microcefalia em bebês cujas mães tiveram. Já são mais de 2,4 il notificações da malformação no País, sendo 920 em pernambuco. Para a coordenadora do Comitê de Virologia Clínica da Sociedade Brasileira de Infectologia, Nancy Bellei, o controle e focos do mosquito será imperativo durante a estação. Nancy lembrou que o aumento de casos de infecção pelos três tipos de vírus durante o verão é esperado por causa de características biológicas do Aedes aegypti. Os ovos do mosquito, segundo ela, podem sobreviver por até um ano e, cinco ou seis dias após a primeira chuva, já formam novos insetos. “No verão, chove mais e o clima ajuda, já que a temperatura ideal para o mosquito é entre 30 a 32 graus Celsius”. AÇÕES Desde novembro, o Estado e a Capital decretaram estado de emergência por conta do avanço do Aedes. Até novembro, Pernambuco registrava mais de 119 mil notificações de doenças relacionadas ao mosquito. No mesmo período do ano passado, foram 17.702 notificações. O Recife é a segunda cidade com mais notificações no Estado – são 25.219 até novembro, um aumento de 838,2% em relação a 2014. É justamente por conta da chegada do verão que será realizada, hoje, uma reunião de monitoramento de combate ao Aedes com a secretaria de Saúde e as demais pastas envolvidas nas ações. “Com a proximidade do verão, aumenta-se o risco de proliferação do mosquito, ou seja, as pessoas terão que ter cuidados redobrados para não deixar recipientes que sirvam de criadouros. E vamos reforçar esses cuidados junto à população”, disse o secretário de Saúde, Jailson Correia.
Mutirão para remover entulhos
Um mutirão de limpeza a fim de eliminar todo o lixo que possa acumular água e servir como criadouro para o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, febre zika e chikungunya, foi realizado ontem no Recife. A ação, coordenada pela gestão municipal por meio da Emlurb, ocorreu simultaneamente nas seis Regiões Político Administrativas (RPAs), pela manhã, das 8h às 16h, e à noite, das 20h às 3h30. Outra ação será realizada no dia 10 de janeiro. Ao todo, o órgão mapeou cerca de 700 pontos críticos, que apesar de possuírem sistema de coleta, sofre com o descarte irregular de lixo. A iniciativa contou com 126 ajudantes, além do suporte de caminhões tipo caçamba, pás mecânicas e carregadeiras. A expectativa é que a Emlurb retire das ruas duas mil toneladas nos dois dias de mutirão. No Alto José do Pinho, Zona Norte do Recife, foram recolhidos sofás, geladeira, cômoda, latas, garrafas PET, potes de margarina e de iogurte, além de restos de tábua. “Acho ótima essa ação de limpeza. Rua e calçada são locais pra gente e carro, não para colocar lixo. Eu só coloco o lixo ensacado em frente à minha casa quando sei que vai ter coleta”, disse Verônica Silva, 43 anos. A aposentada Hélia Pereira, 85, também elogiou a iniciativa da gestão municipal. “Eu gosto de ver quando a nossa rua está limpinha. Evita doenças. Seria bom que os moradores fossem mais conscientes e não descartassem o lixo assim, mas tudo é uma questão de hábito”, analisou. A produção diária de lixo na Capital pernambucana chega a três mil toneladas. Por meio de ação conjunta com a Secretaria de Saúde, o órgão já recolheu mais de 57 mil toneladas de lixo.
Fonte: Folha de Pernambuco



