Agentes iniciam vistoria compulsória

Agentes de endemias do Recife começaram ontem a entrar em imóveis fechados e em situação de abandono para eliminar focos do Aedes aegypti. A medida é amparada pelo decreto municipal 29.279, publicado em 1º de dezembro de 2015. O primeiro bairro a receber a ação foi o Ibura, na Zona Sul, onde 10 agentes chegaram por volta das 8h30 e entraram, com a ajuda de um chaveiro. Os funcionários abriram três imóveis que foram alvos de denúncias.

O abandono se configura depois que as equipes fazem três visitas, em dias e horários distintos, e não encontram ninguém para abrir a porta. É necessário documentar a situação e, se possível, arregimentar uma testemunha. Após a inspeção, o chaveiro deixa a fechadura em perfeitas condições. As denúncias podem ser feitas pelo 0800-281-1520.

Na Rua Professor João Brasileiro Vila Nova, a equipe entrou em um galpão abandonado onde funcionou, até 2014, uma distribuidora de cerâmica, bacias sanitárias e porcelanato. Os agentes já haviam tentado fazer contato com o proprietário, sem sucesso. No local foram encontrados mosquitos adultos, uma poça com larvas e uma sacola plástica com água acumulada que também tornou-se criadouro – o imóvel tem vazamentos no telhado que permitem a entrada da chuva e aumentam os riscos. Havia ainda uma cisterna sem tampa, com mais larvas. A equipe usou larvicida nos criadouros e aspiração para matar mosquitos adultos.

Amostras foram enviadas ao Centro de Vigilância Ambiental e Controle de Zoonoses para que se identifique a espécie dos mosquitos.“Vamos entrar em contato com o dono para corrigir os problemas” explicou o gerente da Vigilância Ambiental do Recife, Jurandir Almeida.

Zenaide Maria Francisca, 37 anos, mora na mesma rua do galpão. Ela, o marido e os dois filhos, de seis e três anos, já tiveram arboviroses. “Contraí chikungunya há 15 dias. Sinto dores no corpo e minhas mãos estão inchadas”, conta. Zenaide acrescenta que tenta manter a casa limpa, emborcando os baldes e fechando a caixa d’água, mas criadouros próximos provocam a proliferação do Aedes.

O segundo imóvel aberto ontem foi uma ótica desativada na Avenida Dois Rios. O endereço fora visitado três vezes, nos dias 3, 18 e 23 de fevereiro, mas não ninguém foi encontrado lá. Ontem, a equipe achou uma bacia sanitária aberta com água parada, além de pedaços de telhas, entulhos de obras e lixo. Havia mosquitos, mas não foram encontradas larvas.

O dono do imóvel, Rogério Luiz de Oliveira, 43, mora em uma casa na parte de trás do terreno. Ele informou que durante as visitas dos agentes estava sempre trabalhando.  “Eu fiquei sabendo dessas visitas ontem e acho importante”, opinou. Segundo Rogério, a família costumava alugar a casa. “De alguns anos pra cá”, segundo ele, as locações cessaram devido às inundações em épocas de chuvas.

O terceiro endereço visitado foi um imóvel abandonado há oito anos na Rua 2. “Os agentes vêm aqui direto e não conseguem entrar. Aí falei que tava abandonado. Sorte é que eu nunca fiquei doente”, afirmou a dona de casa Maria das Dores da Conceição, que mora na rua há 36 anos. Pouco tempo depois, a proprietária se identificou e apoiou a ação. “Que bom que o pessoal está atento a tudo. Vou ficar mais ligada agora”, contou a manicure Maria Aparecida.
A secretária-executiva de Vigilância à Saúde do Recife, Cristiane Pena Forte, conta que antes da entrada compulsória o proprietário recebe um termo de notificação. Ela explica que o ideal é que o dono acompanhe a equipe em vistorias a cada 40 dias.

Fonte: Diario de Pernambuco

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