São Luís – Pernambuco foi o terceiro estado do Nordeste que mais conseguiu enviar médicos para atuar em municípios do interior, nos cinco primeiros meses deste ano, por meio do Programa de Valorização da Atenção Básica (Provab). Segundo balanço do Ministério da Saúde apresentado ontem em São Luís, no Maranhão, dos 989 pedidos de profissionais de medicina feitos pelos prefeitos de várias cidades pernambucanas, um total de 321 foram atendidos e os médicos encaminhados para trabalhar em Unidades de Saúde Básica das periferias do Grande Recife e do interior. Atrás do Ceará e da Bahia, que conseguiram efetivar 691 e 484 médicos, respectivamente, Pernambuco conseguiu atender 33% da demanda. Os 321 profissionais estão trabalhando em 90 cidades pernambucanas. Mas isso ainda não é o suficiente para suprir a carência de profissionais de medicina. O Ministério da Saúde está apostando também muitas fichas na possibilidade de trazer médicos estrangeiros para trabalhar em todos os estados brasileiros, o que tem gerado insatisfação em parte da categoria.
De acordo com o secretário de gestão estratégica do Ministério da Saúde, Odorico Monteiro, além do investimento no Provab, que paga uma bolsa mensal de R$ 8 mil aos participantes, da abertura de novas faculdades de formação de médicos, e da criação de novos postos de trabalho, a “importação” de profissionais qualificados de outros países pode ser uma solução a curto prazo para sanar a “doença crônica” da falta de médicos no Brasil. “Atualmente, o Brasil tem 1,8 médico para cada mil habitantes. O ideal seria 2,7 para a mesma proporção. Com base no números de pessoas que se formam em medicina e tirando aqueles profissionais que morrem, só conseguiríamos atingir esse número no ano de 2032. Se fosse um problema para ser resolvido hoje, seriam necessários mais 168.424 médicos atendendo em todo o país”, calculou Odorico Monteiro. O secretário afirmou ainda que, mesmo com o início da formação de novos médicos, eles só estariam prontos para o mercado com, no mínimo, dez anos, no caso dos neurocirurgiões.
A apresentação do balanço feita ontem durante a 4ª Reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT) trouxe os números das regiões Norte e Nordeste. De acordo com o ministério, o Nordeste é a região com a maior carência de profissionais do Brasil: 6.159 médicos foram solicitados pelos municípios. Somente 2.241 foram destinados para 645 cidades da região. No Norte, apenas 18% da demanda foi atendida. O balanço mostra que dos 1.111 médicos solicitados, só 199 foram para 86 municípios da região. Amazonas, Rondônia e Tocantins foram os estados que mais receberam especialistas. Apesar de não ter comparecido ao evento, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou de uma teleconferência com a imprensa e afirmou que a vinda dos médicos estrangeiros é uma proposta transitória. “Vamos buscar profissionais qualificados e com conhecimento das doenças tropicais do Brasil porque estamos precisando de médicos com urgência. No entanto, também estamos preocupados em formar novos profissionais brasileiros”, ressaltou Padilha.
*O repórter viajou a convite do Ministério da Saúde
Saiba Mais
1,8 é a quantidade de médico por mil habitantes no Brasil
2,7 médico por mil habitantes é o número recomendado pela ONU
6,7 é a quantidade de médicos por mil habitantes em Cuba
168.424 profissionais de medicina seriam necessários para sanar o déficit no Brasil
1,39 é a quantidade de médico por mil habitantes no estado de Pernambuco
19 mil empregos para médicos foram criados em 2011
13 mil pessoas se formaram em medicina em 2011
26.311 novos postos de trabalho serão abertos até 2014 para médicos
3.800 médicos estão atuando no Provab em 2013
381 profissionais participaram no Provab em 2012
Fonte: Ministério da Saúde
Fonte: Diario de Pernambuco



