Eles nunca quiseram perder “aqueles dois quilinhos a mais”. Precisavam de mais, muito mais. Aos 15 anos, Gilvan Neto viu a balança marcar 120 quilos. Aos 16, a irmã dele, Maria Isabel Soares, alcançou os 92. O garoto chegou a ser internado com crise de hipertensão. Drama que abriu os olhos da família e as portas para uma vida melhor. Depois do susto, Gilvan e Maria Isabela abandonaram o sedentarismo e trocaram as frituras e doces por alimentos saudáveis. Três anos mais tarde, ambos esbanjam saúde. Ele, com 64 quilos. Ela, com 63. O excesso de peso se converteu em autoestima e disposição. Efeito que, agora, está mais acessível a outros 120 jovens, graças ao programa Adolescentes Obesos, da Universidade de Pernambuco (UPE). O período de inscrição começou ontem e segue até 31 de janeiro.
A quarta edição do programa será realizada entre março e julho, contemplando pessoas com idade entre 13 e 17 anos. Os 120 selecionados vão participar de atividades físicas e receber acompanhamento nutricional, psicológico e endocrinológico. “O objetivo é a qualidade de vida. Perda de peso é consequência”, diz a professora de educação física Camila Freitas, uma das responsáveis pelo projeto.
Segundo ela, os exercícios, essencialmente aeróbicos, serão feitos nas dez esteiras disponíveis na UPE, três vezes por semana, em dias alternados.
Rotina semelhante à que foi adotada por Artur Henrique de Queiroz, de 13 anos. Em outubro de 2012, ele fez um acordo com a mãe: ganharia um iPad se chegasse ao seu peso ideal. Na época, estava com 63 quilos. Hoje, graças aos exercícios físicos regulares e à alimentação mais regrada, tem 55. “Agora, consigo correr mais, aguento jogar mais futebol. Também melhorei minha autoestima, acho que estou melhor nas fotos”.
Sentida e expressa nas pequenas coisas, a alegria de Artur se repete na casa de Gilvan e Maria Isabela, moradores do Vasco da Gama, Zona Norte do Recife. Questionados sobre o que mudou em suas vidas desde o início da reeducação alimentar, os irmãos são diretos: “Tudo”. Para Gilvan, que vai para o terceiro ano do ensino médio, a disposição física está entre os principais benefícios. Já Maria Isabela, que está fazendo vestibular para o curso de direito, destaca a melhora das relações sociais. “A gente tinha vergonha até de sair de casa. Na época, eu estava super apreensiva, porque ia para um colégio maior. Tudo isso acabou.”
Os impactos sobre a autoestima e a confiança pessoal também chamam a atenção no programa Adolescentes Obesos, de acordo com a endriconologista Nair Cristina, do Hospital Oswaldo Cruz. “Os alunos se sentem mais capazes com o tempo. Além disso, começam a conhecer as comidas saudáveis, incorporam bons hábitos e, às vezes, até mudam o estilo de alimentação da família.” Segundo ela, os participantes se beneficiam, sobretudo, da mudança de perfil metabólico. “Eles perdem peso, mas não é algo dramático. Mesmo que ainda estejam acima do ideal, terminam com boas taxas”. Além do acompanhamento de Nair, os jovens receberão orientação da nutricionista Roberta Costi e apoio psicológico.
SAIBA MAIS
Inscrição
Até 31 de janeiro.
O que fazer?
O interessado liga para (81) 3183 3379 ou 9657 6426, informa dados e agenda uma visita de um agente do programa. Depois, participa de entrevistas, medição e pesagem, além de responder a um questionário
Seleção
O programa aceita jovens com idade entre 13 e 17 anos e de até 120 quilos (devido à capacidade das esteiras). O foco são os alunos com percentil – relação entre peso, altura e idade – superior a 90. É preciso demonstrar vontade de participar
Programa
Os 120 selecionados serão divididos em quatro turmas. Duas delas vão fazer exercícios físicos nas segundas, quartas e sextas-feiras (uma de manhã e a outra, à tarde). As demais ficam com as terças, quintas e sábados. Também há apoio psicológico, orientação nutricional e acompanhamento endocrinológico
HOMENS
10 a 19 anos
(Excesso de peso)
1974-1975: 3,7%
1989: 7,7%
2002-2003: 16,7%
2008-2009: 21,7%
10 a 19 anos
Obesidade
1974-1975: 0,4%
1989: 1,5%
2002-2003: 4,1%
2008-2009: 5,9%
MULHERES
10 a 19 anos
(Excesso de peso)
1974-1975: 7,6%
1989: 13,9%
2002-2003: 15,1%
2008-2009: 19,4%
10 a 19 anos
( Obesidade)
1974-1975: 0,7%
1989: 2,2%
2002-2003: 3,0%
2008-2009: 4,0%
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
Fonte: Diario de Pernambuco



