Alerta geral para chicungunha

Doença que foi responsável pelo adoecimento de mais de 26 mil pessoas e que está associada a 114 óbitos em Pernambuco, em 2016, a chicungunha levou o Ministério da Saúde a lançar um guia para orientar os profissionais de saúde sobre a melhor forma de tratar e acompanhar os pacientes que apresentam comprometimentos causados por um vírus que passou a ser considerado o maior desafio na área de saúde pública no País. A perspectiva é que a epidemia que assustou o Estado no ano passado se espalhe por outras regiões do Brasil. Essa ameaça exige conhecimento dos médicos sobre medicações que podem ser alternadas nas fases críticas da doença e utilização de doses adequadas por períodos apropriados.

“É o primeiro protocolo sistematizado do mundo, que explica passo a passo a abordagem da dor na chicungunha nas diferentes fases da doença. Há um documento francês que sugere algumas condutas, mas sem sistematização e que difere bastante do que elaboramos”, informa o clínico-geral Carlos Brito, membro do Comitê Técnico de Arboviroses do Ministério da Saúde que participou da elaboração do protocolo. O guia foi publicado no site do Ministério da Saúde e detalhado também na última edição da Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical.

O protocolo, segundo o especialista, ajuda o médico a prescrever o medicamento adequado para controlar os sintomas, como dores articulares e musculares que comprometem a qualidade de vida e levam à incapacidade do doente por meses e anos. O artista plástico João Andrade, 61 anos, faz parte do grupo de pessoas que vivenciou as consequências da infecção pelo vírus. “Os sintomas apareceram no fim de 2015. Ainda hoje sinto incômodos nas articulações da mão esquerda. Já me acostumei com essa dor, pois me falaram que ela pode durar por uns três anos”, conta João, que se recorda da pior fase da doença: o início. “Tive febre alta e senti muita fraqueza. O pé inchou, os braços e os dedos das mãos começaram a doer. É muito ruim, pois é debilitante.” Assim como João, outras pessoas acometidas pelo vírus apresentam dores duradouras nas articulações.

“Existem pacientes que não têm acesso ao tratamento adequado. Na fase aguda (inicial), que é a mais crítica, há relatos de uso de doses de medicamento abaixo do indicado ou utilização de anti-inflamatórios e corticoides nesse período da doença, o que não é recomendado”, frisa Carlos Brito, que chama a atenção para a população não fazer uso da automedicação.

O especialista destaca que, ao seguir o guia, os profissionais de saúde ganham segurança para usar medicações indicadas para combater o leque de males associados à infecção. “O vírus, depois que circula no sangue, vai para a articulação e libera proteínas inflamatórias que acometem os ossos. Há medicações que ajudam a bloquear esse processo, que pode atingir outros órgãos, como cérebro, coração, rim e pulmão”, salienta Carlos, ao se referir à possibilidade de a chicungunha causar doenças neurológicas, oculares, cardiovasculares e renais. “O protocolo mostra efetividade. Nos pacientes que seguiram as recomendações, observamos que os sintomas regrediram”, finaliza o especialista.

Fonte: Jornal do Commercio

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