Alerta para casos de micose

O aumento de casos da esporotricose, micose subcutânea causada pelo fungo Sporothrix schenckii que pode afetar humanos e animais, deixa em alerta autoridades de saúde e dermatologistas de Pernambuco. Preocupada com relatos sobre a ocorrência da doença, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) implantou a notificação obrigatória dos casos em humanos. E a partir de amanhã, a Clínica Dermatológica do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) inicia um ambulatório para acolher registros suspeitos.

No ano passado, só o Laboratório Central de Pernambuco (Lacen-PE) investigou 73 casos em animais (45 confirmados) e 14 em humanos (5 confirmados). “São percentuais de positividade altos: 62% em animais e 36% em humanos. É bom ressaltar que isso é subnotificado, pois não reflete a realidade em Pernambuco. Suspeitamos que haja mais casos. E talvez os municípios não estejam preparados para (notificar e tratar) o número que ainda vai aparecer”, destaca a médica veterinária Geane Oliveira, coordenadora de Diagnóstico de Zoonoses e Outras Endemias do Lacen-PE.

A especialista ressalta que as estatísticas atuais refletem apenas a ponta do iceberg de uma doença que já está instalada no Estado. “A preocupação começou quando o Hospital Veterinário da Universidade Federal Rural de Pernambuco nos comunicou sobre o aumento de gatos que chegava à unidade com sintomas da doença. Só para ter ideia, o hospital recebeu três animais com esporotricose em 2012. Em 2014, foram 37 gatos e um cão”, informa Geane. No Estado, a vigilância ficou mais alerta também por causa da explosão dos casos no Rio de Janeiro, no ano passado, quando foram registrados cerca de 4 mil casos da doença em animais e 580 em humanos.

Em Pernambuco, Geane ressalta que, apesar de a doença já ser de notificação compulsória em humanos, os serviços de saúde não têm a prática de registrar os casos. Isso dificulta o andamento das ações de vigilância e o tratamento das pessoas afetadas. “A doença tem cura. O tratamento, feito com antifúngico, pode durar de quatro a seis meses nos humanos e é oferecido pelo Sistema Único de Saúde. O problema é que o medicamento não é disponibilizado de graça para os animais. Neles, o tratamento é mais longo (dura nove meses) e nem sempre o dono tem condições de pagar e, por isso, há casos de abandono.” O custo mensal do tratamento, segundo Geane, é de aproximadamente R$ 60.

Na Clínica Dermatológica do HC, os casos de esporotricose em humanos eram esporádicos. “Aparecia um paciente a cada três meses. Agora, toda semana recebemos pessoas com suspeita da doença. Por isso, decidimos inaugurar um ambulatório específico para esses casos”, informa a dermatologista Cláudia Ferraz, que integra a Comissão Científica da Sociedade Brasileira de Dermatologia-Regional Pernambuco (SBD-PE). Pacientes devem ser encaminhados por qualquer médico para o HC. Quem tiver dúvidas pode entrar em contato pelo telefone da clínica (2126-3527 e 2126-3528).

O fungo causador da esporotricose geralmente habita o solo, palhas, vegetais e também madeiras. Pode ser transmitido por meio de materiais contaminados, como farpas ou espinhos. Animais contaminados, especialmente gatos, também transmitem a doença, por meio de arranhões, mordidas e contato direto da pele lesionada. No homem, a doença se manifesta por lesões na pele: começam com um pequeno caroço vermelho, que pode virar uma ferida. O Lacen-PE disponibiliza contato para dúvidas sobre a notificação da doença: 3184-0214 e 3184-3919.

Fonte: Jornal do Commercio

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