Alerta para caxumba

Depois da massificação da internet, consultas online de sintomas da saúde se tornaram prática comum. Em um clique, o cidadão acha que desvendou o mistério e, muitas vezes, passa para a automedicação. Se for em períodos de inverno, ventos fortes e viroses respiratórias, a prática parece mais recorrente. É empurrada pela suposta praticidade e o comodismo que faz evitar serviços de emergência. Um perigo: há enfermidades que oferecem  mais riscos do que parecem ter. É o caso da caxumba, conhecida por papeira, motivo da preocupação atual de autoridades da Secretaria de Saúde do estado pelo número de ocorrências registradas nos últimos sete meses deste ano.

Secreções respiratórias de pessoas infectadas são as causadoras da caxumba. Ao todo, 95 já casos foram notificados em Pernambuco, sendo a maioria no Recife (58 deles), em Olinda (27) e em Jaboatão dos Guararapes (9). A caxumba se apresenta com dores fortes na região do ouvido ou de cabeça, dificuldade para engolir, inchaços nas laterais da face e pescoço e febre. São reflexos da inflamação das glândulas salivares parótidas. Não tem tratamento. Os incômodos podem ser minimizados com o uso de analgésicos, por isso é importante atenção para não se cuidar aleatoriamente de uma doença supostamente simples sendo vítima de outra mais grave.

Nos homens, alertam especialistas, a prudência deve ser redobrada. A caxumba pode causar infertilidade, caso não seja acompanhada, porque destrói o chamado epitélio germinativo dos testículos. Ela tem potencial para causar meningite viral, surdez e até abortos – em se tratando de mulheres. Estudos preliminares indicam que a maior incidência recente aqui em Pernambuco tem se dado entre adolescentes e adultos, com idade entre 15 e 25 anos.

Em parte, essa quantidade pode ter sido notificada em função de doses de vacinas administradas parcialmente. A vacina indicada é a tríplice viral, a mesma que protege contra sarampo e rubéola e é fornecida pelo Ministério da Saúde. É preciso tomar a vacina com um ano de idade e depois se fazer um reforço após três meses. Nem sempre a recomendação é ou foi seguida pelas famílias em décadas passadas – o que acaba prejudicando a imunização. Se a pessoa tiver tomado apenas uma dose da tríplice viral ou não tiver feito a imunização na infância, deve procurar um posto de saúde para fazer o reforço, sobretudo na fase da adolescência entre 10 e 19 anos. Esta é a convocação da saúde estadual. Basta portar uma carteira de identidade para solicitar a vacina.

Fonte: Diario de Pernambuco

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