Os 350 ex-funcionários do Hospital Alfa levaram mais um calote da empresa. Além de não poder arcar com as verbas rescisórias, FGTS e INSS dos funcionários, o hospital não cumpriu a promessa de pagar o salário de novembro e a primeira parcela do 13º salário até o último dia 10. Por conta disso, o Alfa – que desde o início do mês tem novo dono e se chama CHS Hospital Nossa Senhora das Graças – sofrerá uma auditoria trabalhista da Superintendência Regional do Trabalho (SRT), além das medidas judiciais que o Ministério Público do Trabalho (MPT) garante tomar nos próximos dias.
A intenção é começar a auditoria ainda hoje. “Esperávamos que eles pagassem ao menos o prometido, pois o antigo dono do Alfa tem posses em outros Estados. Mas nem isso foram capazes de fazer”, diz o mediador público Mário César Carvalho, responsável pela negociação entre o Grupo Fator (antigo dono do Alfa) e o Sindipeenfermagem, que representa 80% dos trabalhadores do hospital.
O resultado da auditoria não tem previsão para sair e, quando pronto, será entregue à Justiça do Trabalho.
Desde o início, a Associação Ahmar, atual dona do hospital, alega nada ter a ver com os problemas trabalhistas. Atribui todos ao grupo Fator. Mas durante a reunião, os ex-funcionários afirmaram que 90% do atual quadro de funcionários do hospital está em situação irregular.
Ainda ontem, o Sindipeenfermagem protocolou uma denúncia no MPT contra o Hospital Nossa Senhora das Graças. Entretanto, há algum tempo um funcionário de nome não divulgado já protocolara queixa junto ao MPT. Por e-mail, o órgão afirma que tomará, ainda neste ano, medidas judiciais (ações cautelares ou ações civis públicas, por exemplo) contra a empresa.
Como o grupo Fator não tem crédito na praça, nem dinheiro, está descartada a aplicação de medidas administrativas como o Termo de Ajuste de Conduta, que implicam em possíveis multas.
Segundo o advogado do grupo Fator, Denys Lira, dos 350 demitidos, 250 foram recontratados pela atual gestão do hospital. Ele se reuniu na última terça-feira com o procurador Renato Saraiva, do MPT, que está à frente do caso.
Fonte: Jornal do Commercio



