Alimento que sempre será bom

Mães que amamentam, a ciência é unânime: não existem evidências que comprovem que a alimentação pode influenciar na produção ou na qualidade do leite. Os estudos não puderam confirmar a propriedade lactogoga – termo técnico para a capacidade de aumentar a secreção de leite – conforme a tradição popular recomenda. Então não adianta tomar suco de uva, comer canjica ou cuscuz, eles não vão fazer efeito. “Entretanto, como há muita influência emocional para a saída de leite da mama, algumas mulheres se referem o aumento na produção por acreditarem na ação desses alimentos ou bebidas”, ressalva a pediatra Vilneide Braga, coordenadora do Banco de Leite Humano e Centro de Incentivo ao Aleitamento Materno do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip).

O único alimento que tem uma relação direta na composição do leite são as gorduras, indica a nutricionista Ana Lígia Lins, especialista em nutrição funcional e coordenadora do curso de Nutrição da Faculdade dos Guararapes. “Quando a mãe se alimenta de gorduras boas como azeite, óleo de coco, óleo de linhaça, que é rico em ômega 3, há vários benefícios para a criança, inclusive na formação do sistema nervoso central. Mas quando a mãe consome mar- garina, frituras, gorduras trans, isso dá à criança uma fonte direta de gorduras ruins, podendo inclusive gerar as famigeradas cólicas, e ainda um ganho de peso exagerado e danos à saúde”, sublinha. O ideal é manter a dieta realizada durante a gestação, com os mesmos cuidados: evitar alimentos industrializados, refrigerantes e bebidas alcoólicas. A neonatologista Lindacir Sampaio, do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco, aponta que leites e derivados também estão vetados. “A principal causa de alergia na criança é o leite de vaca que a mãe toma, por causa das proteínas que passam pelo leite materno”, conta. A ingestão de líquidos deve seguir normal, pois é comum a mulher sentir muita sede durante o período da amamentação. “A mãe vai sentir mais sede naturalmente e vai tomar água de acordo, tanto que se diz que quando estamos amamentando, queremos uma garrafa de água perto da gente”, destaca.

As especialistas fazem coro entre si quando o assunto é a qualidade do leite, que sempre será boa, independente da alimentação da mãe. “Mesmo com uma alimentação insuficiente, é como se a mãe produzisse o leite adequado para seu filho. A questão é que isso pode gerar uma ‘desnutrição’ materna, com alguns sintomas como cabelo caindo muito por conta da amamentação, pele ressecada, sensação de fraqueza, ou seja, acaba deixando a mãe com carências nutricionais”, explica a nutricionista Ana Lígia Lins. Alguns medicamentos podem, contudo, diluir o leite, como é o caso dos diuréticos, que vão aumentar a quantidade de água liberada pelo corpo.

Fonte: Folha de Pernambuco

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