O anúncio do acréscimo de dois anos na duração do curso de Medicina nas universidades públicas e privadas brasileiras, feito pela presidenta Dilma Rousseff na última segunda -feira, não agradou a comunidade e entidades médicas locais. A medida, que aumenta o curso de Medicina de seis para oito anos, faz parte do programa Mais Médicos, do Governo Federal, e começa a valer para as pessoas que iniciarem o curso em 2015. Os dois anos seriam dedicados ao serviço público de saúde.
Uma das pessoas que discordam é o clínico geral Gustavo Moreira, que está se especializando em Gastropatologia pela Universidade de Pernambuco (UPE). Segundo ele, o acréscimo de dois anos, na prática, não vai auxiliar no aumento de número de médicos. “O que me espanta é o governo colocar isso como uma solução para os problemas da saúde, centrando tudo na questão do profissional. O ponto principal é que não faltam só médicos. Falta tudo. Por exemplo, se eu tenho 20 médicos e não tenho um pote para o paciente fazer um exame, do que adiantam os 20 médicos? Como eles darão o diagnóstico?”, disse.
O residente de infectologia da UPE e presidente da Associação Pernambucana de Médicos Residentes, Carlos Tadeu Leonídio, declara que a decisão é equivocada por estar desvinculada do resto da discussão sobre a formação dos alunos. “Esses dois anos vêm totalmente desacoplados dos seis anos já cursados pelos estudantes. Mudanças curriculares foram feitas recentemente para formar melhores médicos. Esses dois anos se configuram, para mim, como uma forma de ter mão de obra barata”, comentou. O médico infectologista e professor do curso de medicina da UPE, Vicente Vaz, no entanto, vê pontos positivos na medida. “A forma como esses dois anos vão ser compostos é discutível. Porém, eu acho o acréscimo de tempo válido. Talvez tornar a residência médica algo obrigatório seja a melhor forma de aproveitar esses dois anos”, explicou. O médico acrescenta, no entanto, que apenas o tempo a mais não resolve os problemas de formação dos profissionais.“Precisamos de mudanças na infraestrutura também, principalmente nos hospitais universitários”, opinou.
No Estado, tanto o Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), quanto o Conselho Regional de Medicina (Cremepe) se mostraram contrários à Medida proposta pelo Governo Federal. Pernambuco conta, atualmente, com 3.060 estudantes de medicina, entre as universidades públicas e particulares.
Fonte: Folha PE



