Anemia no estado preocupa

Comer muito não é sinal de comer bem. Um diagnóstico da situação nutricional de crianças pernambucanas com até cinco anos de idade revelou que 34% delas estão com anemia. Um número alarmante, já que a meta da Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê um índice abaixo de 20%. A pesquisa, elaborada pelo doutor em saúde pública Malaquias Batista Filho, que é pesquisador do Instituto Materno Infantil Professor Fernando Figueira (Imip), foi concluída no primeiro semestre deste ano.
Foram avaliadas 1.403 crianças – de todas as classes sociais – em 1.311 domicílios da Região Metropolitana do Recife e do interior do estado. “Até 2006, por exemplo, quando coletamos os primeiros dados, o índice de anemia infantil era de 47% no estado. Apesar da queda nos últimos seis anos, as estatísticas ainda são muito preocupantes, pois a alimentação dos pernambucanos tem piorado significativamente. Isto acarreta o aparecimento precoce de doenças que só deveriam surgir em idades mais avançadas, como o diabetes”, destacou Malaquias.

Segundo ele, o aumento do padrão de renda está levando as famílias a inserir mais produtos industrializados no cardápio diário. Em contrapartida, as frutas e verduras – principais fontes de nutrientes – estão sendo deixados de lado. Estudos comprovam que a falta de ferro, por exemplo, compromete o desenvolvimento cognitivo e a capacidade de aprendizado das crianças, problema que persiste na fase adulta. “A informação aumentou, mas, curiosamente, a anemia também. Foi feito o caminho inverso”, pontuou o pesquisador. A coordenadora do curso de nutrição da Uninassau, Cinthia Rodrigues, explicou que alimentos de origem animal e os legumes associados à vitamina C são duas armas para evitar a falta de ferro.
A deficiências de vitamina A, gerada pela má alimentação, é outro fator preocupante. Do total de meninos e meninas avaliados, 15,6% apresentavam o déficit. Entre os principais prejuízos à saúde está a chamada cegueira noturna, em que as crianças não conseguem uma boa adaptação visual em ambientes de baixa iluminação. Redução do olfato, paladar, ressecamento e infecção na pele são recorrentes. Aos adultos, ainda há a aceleração do envelhecimento. “A recomendação é de um cardápio diário variado”, informou Cinthia Rodrigues.
Mesmo quando não pode estar em casa no horário do almoço, por conta do trabalho, a empresária Roberta Araújo, 40, faz questão de acompanhar, diariamente, o cardápio que é servido para a filha Helena, de 3 anos. “Ela prefere doces e frituras, mas foi acostumada, desde os primeiros meses de vida, a comer frutas e verduras, por isso não tem muita rejeição. Está bastante saudável”, contou.

Fonte: Diario de Pernambuco

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