Anomalia ainda não pode ser vinculada ao aedes

Desde a segunda quinzena de outubro, quando especialistas pernambucanos perceberam um aumento do número de recém-nascidos com microcefalia, várias hipóteses têm sido avaliadas na tentativa de explicar a nova realidade. Ontem o Ministério da Saúde reforçou ser muito imprudente relacionar novos casos da anomalia congênita com as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, especialmente a zika, que tem o exantema (erupção cutânea com pontos vermelhos) como um dos sintomas. Embora parte das mães que deram à luz um bebê com microcefalia tenha relatado presença de exantema em algum momento da gestação, esse sinal não é o suficiente para justificar a ocorrência dos novos casos da microcefalia.

“É precipitado da nossa parte atribuir a causa a um agente específico. É natural que, no ano em que há um vírus novo no País, exista a tendência a uma associação. Mas isso pode ser uma coincidência temporal”, disse ontem o diretor do Departamento de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch.

O aumento na incidência da microcefalia pode ser explicado por diversos motivos (e todos estão em análise), incluindo infecções congênitas – aquelas transmitidas pela mãe ao filho durante a gravidez, como toxoplasmose, rubéola e citomegalovírus.

“Os exames de imagens dos bebês acompanhados mostram que há lesões que fogem do padrão da microcefalia de caráter genético. Identificamos que existem calcificações no cérebro dessas crianças, o que sugere uma anomalia de cunho infeccioso”, explica a pediatra do Huoc Regina Coeli, à frente da investigação epidemiológica na unidade. O Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) é o outro hospital de referência selecionado para a investigação.

Em outubro, reforçando a força-tarefa criada no Estado para analisar a nova realidade inusitada, foi oficializada a Câmara Temática de Microcefalia do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), que tem como um dos objetivos captar recursos e fomento à analise dessa elevação na incidência.

Fonte: Jornal do Commercio

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