ANS define hoje fim da Ideal Saúde

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) define hoje como se dará o fim da Ideal Saúde, operadora de planos de saúde local com mais de 80 mil beneficiários. Na semana passada, o órgão regulador conseguiu derrubar no Tribunal Regional Federal (5ª Região) liminar que o impedia de alienar compulsoriamente a carteira de clientes da operadora pernambucana. Com isso, a agência deu continuidade ao processo que poderá culminar no repasse compulsório da carteira da Ideal para outra operadora ou, se não aparecer nenhuma empresa interessada, iniciar a portabilidade especial desses clientes.

“Conseguimos com a Procuradoria Geral da República (PGR) reverter a liminar no Tribunal (TRF5)”, contou o diretor de Gestão da ANS, André Longo. Ele salientou que a operadora que tinha interesse em adquirir a carteira de clientes da Ideal desistiu do negócio. “Neste momento, não há outra interessada e, neste caso, o processo segue o rito da portabilidade especial”, comentou. Com a portabilidade, os clientes poderão mudar para planos de outras empresas que tenham o mesmo formato daqueles contratados na Ideal sem ter de arcar com prazos de carência de atendimento. O que define se um plano é equivalente ao outro, além do preço, são os itens de cobertura e rede credenciada. “Pode ser que haja proposta de novos interessados, a não ser que a Ideal consiga outra liminar. Mas esperamos que não, porque, assim, ficamos impedidos judicialmente de realizar o nosso trabalho”, salientou.

Se depender da diretora da Ideal Saúde, Uelitânia Duarte, esse processo vai demorar mais. “Vamos lutar por nossa empresa até o fim”, promete. Uelitânia lamentou a falta de apoio que a sua empresa vem enfrentando. “Se algo de ruim acontecer, a sociedade vai perder um grupo que já movimentou mais de R$ 2 milhões por mês no Estado e hoje emprega 380 funcionários. Não tivemos apoio de ninguém da sociedade, sindicato, Sindihospe. Isso só vai prejudicar o usuário. O setor está em crise e não podemos repassar os valores de novas tecnologias e de um rol de procedimentos cada vez maior”, revolta-se a diretora.

O fim da Ideal preocupa os prestadores de serviço do sistema de saúde suplementar por conta do rombo que a operadora vai deixar no mercado local. “Nosso levantamento aponta R$ 16 milhões em dívidas já faturadas da Ideal com o mercado de prestadores (hospitais e clínicas), sem contar a maior parte do interior, onde a empresa tem grande presença. Em Caruaru, a empresa deve R$ 1,5 milhão ao Hospital Santa Efigênia. São estruturas que podem quebrar. Se morresse sozinho era só um plano, mas da forma como acontece arrasta os pequenos serviços de laboratório”, disse o presidente do Sindicato dos Hospitais (Sindihospe), Mardônio Quintas.

A Ideal Saúde é uma das sete empresas do setor que estão suspensas pelos médicos, que fazem protesto esta semana por melhores remunerações. Segundo Mardônio, há oito dias ninguém mais do setor aceita realizar procedimentos com a Ideal. Uelitânia não quis comentar as afirmações de Quintas.

Segundo dados de julho da ANS, a Ideal Saúde tinha 84.994 clientes em sua carteira. “Pedimos o apoio da sociedade pernambucana para que não deixe uma instituição local quebrar”, suplica a diretora em busca de alguma ajuda que possa tirar a sua empresa da crise que a cada dia a arrasta para o fim das operações.

Fonte: Jornal do Commercio

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