Enquanto o Ministério da Saúde reconhecia ontem a entrada de Zika vírus no Brasil- por enquanto nos Estados da Bahia e do Rio Grande do Norte, no Nordeste – Pernambuco confirmava epidemia de dengue generalizada. A Secretaria Estadual de Saúde atribui grande parte do problema à estiagem prolongada, que faz a população guardar água em casa e cultivar criadouros do Aedes aegypti, associada à presença dos quatro vírus.
Apenas cinco municípios _ Palmerina, Riacho das Almas Agreste), Primavera, São Benedito do Sul e Rio Formoso (Mata Sul) – não registram casos de dengue, que no restante do território estadual se espalhou em proporção cinco vezes maior do que no mesmo período do ano anterior. O número de mortes em investigação subiu de 17 para 21, depois da primeira confirmação divulgada na semana passada.
“Ultrapassamos mais de 300 doentes por cada grupo de 100 mil habitantes”, esclareceu Claudenice Pontes, coordenadora de combate à dengue, apontando que essa marca define a situação epidêmica. Até então, a Secretaria Estadual de Saúde vinha contabilizando as cidades nessa condição. A primeira delas foi Recife, ainda em fevereiro.
Agora são 179 municípios e o Arquipélago de Fernando de Noronha atingidos, com um total de 37.589 doentes suspeitos, 8.319 confirmados. Os dados contabilizam registros até o dia 2 de maio. No ano passado, em época igual, os enfermos não ultrapassavam 6 mil. O aumento chega a 528,68%.
Em 53 cidades a situação é pior, pela alta incidência e transmissão ativa. Esse grupo coincide com outro maior, de 126 cidades que decretaram estado de emergência este ano por causa da seca. O primeiro lugar é de Itapetim, no Sertão, com o equivalente a 2.309 doentes por 100 mil pessoas, seguido por Sanharó (1.934,35), Fernando de Noronha (1.525,66) e Goiana (1.509,83). Para ter uma ideia dessa comparação, Recife, cidade com maior número absoluto de casos, tem incidência de 383 por 100 mil.
CHICUNGUNHA
Os dois primeiros casos de chicungunha do ano também foram confirmados. São uma idosa e uma adolescente da mesma família, moradoras de Iguaraci (Sertão) que adoeceram durante visita à Bahia, numa região onde tem ocorrido a doença e o Zika vírus. “São casos importados, não há transmissão local da doença confirmada”, informa Claudenice. Segundo ela, as duas pacientes relataram intensa e prolongada dor nas articulações. Há outros 17 casos em investigação.
Fonte: Jornal do Commercio



