Especialistas voluntários do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc) estão em busca de pessoas que queiram participar do segundo grupo de apoio a pacientes que sofram com a oniomania, distúrbio do controle dos impulsos caracterizado pelo vício em fazer compras. Os encontros acontecerão às sextas-feiras à tarde, no Centro de Tratamento do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (C-TOC), na Unidade de Pesquisa Clínica (Unipeclin).
A assistência é baseada no trabalho desenvolvido por profissionais do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso (Pro-Amiti) do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP). As sessões, focadas na terapia cognitivo-comportamental, auxiliam o paciente a identificar os padrões distorcidos desses impulsos e reordenar os comportamentos. “Inicialmente, trabalhamos a psicoeducação. O paciente aprende tudo sobre o transtorno com o qual convive. Nas outras etapas, discutimos estratégias para evitar as compras compulsivas e identificar a importância da austeridade no combate ao vício em compras”, explica a psicóloga Luciana Gropo, membro do projeto. O tema foi destaque na 34ª Jornada Pernambucana de Psiquiatria, realizada no início do mês.
O grupo também é acompanhado por especialistas observadores, entre psicólogos e psiquiatras, que garantem o cumprimento do protocolo. “Na maioria dos casos, como em outros transtornos do controle dos impulsos, a base do tratamento deve ser a terapia. O paciente precisa passar por um processo de conscientização da doença para ajudá-lo a mudar seu estilo de vida”, pontua a psiquiatra Luciana Paes de Barros, associada titular da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e uma das integrantes do serviço.
A funcionária pública Magna Martins, 44, precisou perder um apartamento para perceber que seu prazer pelas compras era, na verdade, uma doença. “O problema se arrastava há muito tempo. Quando fui procurar ajuda já estava no fundo do poço. O grupo nos ensina a lidar com a maior dificuldade do comprador compulsivo: as ponderações”, conta Magna, participante do primeiro grupo.
Apesar de conhecida entre os especialistas da área, a oniomania não está classificada no 5º Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM5), elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria e aplicado nos principais protocolos médicos. O distúrbio consta como uma categoria na seção de transtornos do controle dos impulsos não classificados em outro local.
“Essas pessoas, em geral, apresentam dificuldades semelhantes às dos indivíduos que têm problema com jogos e álcool. O hábito, que antes era prazeroso, se torna um comportamento contínuo e compulsivo, levando a pessoa a contrair dívidas enormes. Os pacientes compulsivos têm problemas em ponderar entre o que é bom e o que é ruim para eles”, pontua a médica, doutora em neuropsiquiatria e ciências do comportamento pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Em alguns casos os pacientes podem ter outras doenças, como transtornos de ansiedade e distúrbios de personalidade. Quando há comorbidades, além da terapia, é indicado o uso de remédios. “O medicamento age como apoio terapêutico ou no tratamento de doenças que podem surgir associadas à oniomania ou por consequência do transtorno”, esclarece.
Os interessados devem comparecer ao serviço, no pavilhão Ovídio Montenegro, para se inscrever no programa.
Fonte: Jornal do Commercio



